Os quatro anos de aplicação ininterrupta do estado de exceção de zona de emergência nas 32 comunas de La Araucanía e em 21 de Biobío, que se completam em 17 de maio, ocorrem em um contexto em que o Governo abriu, no final de março, o debate sobre um eventual desescalonamento da medida e em que ocorreram, paralelamente, cinco atentados nos últimos dois meses. Isso, somado ao fato de que vítimas e setores afetados pela violência consideram que não estão dadas as condições para retirar as Forças Armadas até que os grupos que cometem os atentados não sejam desativados.

O setor dos contratistas florestais soma 526 atentados entre 2014 e 2026. O último ataque foi registrado em 7 de maio e afetou uma operação florestal na localidade de Curaco, em Collipulli, ao norte de La Araucanía. Ao avaliar os quatro anos do estado de exceção, o gerente da associação que os reúne, René Muñoz, considera que “o que temos hoje deve ser mantido (...) Carabineros atuando sozinhos, e a PDI apoiando, não são suficientes”.

Acrescenta que “o fato de o estado de exceção ter se mantido por quatro anos e a violência ter diminuído, porque objetivamente os números o confirmam, é uma prova de que esta medida é necessária e que os Carabineros precisam de um acompanhamento das Forças Armadas para combater a violência”.

O representante dos contratistas afirma que a ferramenta excepcional requer como complementos “que sejam aprovados os projetos sobre as Regras de Uso da Força (RUF) e de Infraestrutura, e que se continue apoiando com tecnologia e recursos as polícias, as Forças Armadas e também os ministérios públicos”.

José Miguel Stegmeier, vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e novo líder do Consórcio Agrícola do Sul (CAS), afirma que “o estado de exceção tem sido positivo, porque permitiu que tenhamos paz em algumas zonas, embora em outras, nem tanto”, e ressalta que, “por isso, nos chamou a atenção quando se falou em desescaloná-lo, embora agora se reconheça que foi prematuro dizê-lo”. Ele afirma que em sua aplicação, “ainda é necessário melhorar alguns aspectos logísticos e de infraestrutura para as Forças Armadas”.

“Carabineros e a PDI não são suficientes”

“Fracasso do Estado”

Para o pesquisador Gustavo Campos, do Centro Democracia e Opinião Pública da U. Central, “aqui vemos que uma medida excepcional se normalizou em quatro anos, o que é uma amostra do fracasso do Estado em um papel fundamental, como é resguardar a ordem e a segurança em seu território”.

Segundo o acadêmico, “trata-se de um problema que transcendeu os governos e demonstra que não existe capacidade, no aparato público, de cumprir seu papel mais essencial em uma parte importante do país”.

Questionado sobre se aplicar a disposição constitucional permitiu que o Estado compense seu fracasso em torno da segurança na macrozona sul, Campos diz que “o sentido último do estado de exceção, em termos de gestão, é o aumento de recursos, com o desdobramento não apenas dos Carabineros, mas também das Forças Armadas para preservar a segurança”.

Ele afirma que “se com esses recursos se consegue estabilizar a ordem e a segurança, a conclusão mais lógica, em termos de política pública, é que é preciso aumentar os recursos na macrozona sul”.

Na mesma direção, Campos considera que “hoje temos uma nova normalidade, que requer o desdobramento de maiores capacidades de força para a ordem e a segurança, o que também é um desafio que pode implicar uma demanda similar por parte de diferentes regiões com problemas de insegurança”.

Fonte:El Mercurio

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