Um novo fato de violência rural foi registrado nesta quinta-feira na região de La Araucanía, depois que dois caminhões foram incendiados em uma fazenda florestal da comuna de Victoria, situação que volta a tensionar o cenário de segurança na Macrozona Sul.

O ataque ocorreu no quilômetro 20 da Rota R-570, especificamente na fazenda San Gregorio, no caminho para as Termas de Tolhuaca. Até o local compareceu pessoal dos Carabineros, constatando que pelo menos dois caminhões que prestavam serviços à empresa florestal Comaco ficaram completamente destruídos.

De acordo com informações policiais, trabalhadores presentes no local denunciaram que um grupo de sujeitos encapuzados e armados os intimidou com armas de fogo para posteriormente borrifar os veículos com líquido acelerante e iniciar o fogo.

O tenente-coronel Raúl Quintanilla, prefeito (substituto) da Prefeitura de Malleco, explicou que "as vítimas indicaram que sujeitos com o rosto coberto procederam a intimidá-los com armas de fogo, para depois, usando líquido acelerante, atear fogo aos veículos".

Em decorrência das diligências em andamento, o trânsito no setor teve que ser suspenso momentaneamente. Por instrução do Ministério Público, equipes especializadas do OS9 e Labocar dos Carabineros ficaram encarregadas da investigação para estabelecer a dinâmica dos fatos e encontrar os responsáveis. Até agora não há pessoas detidas.

Escalada de violência em La Araucanía

Este novo atentado ocorre em uma jornada especialmente complexa para a segurança na província de Malleco. Mais cedo, duas unidades dos Carabineros foram atacadas a tiros na comuna de Ercilla, fato que posteriormente resultou em uma ampla operação de busca policial na comunidade de Temucuicui.

O pessoal policial entrou de forma massiva na comunidade localizada na zona rural de Ercilla, em meio a uma operação desenvolvida após os ataques armados contra funcionários policiais.

A sequência de fatos violentos voltou a gerar preocupação entre os sindicatos produtivos e organizações ligadas ao transporte e ao setor florestal.

Sindicatos exigem ações concretas

Enquanto isso, da Acoforag manifestaram sua preocupação com a repetição de ataques incendiários e questionaram a efetividade das medidas de prevenção implementadas até agora.

A organização advertiu que este novo atentado, ocorrido horas após o ataque armado aos Carabineros em Ercilla e da subsequente operação de busca em Temucuicui, demonstra que "os grupos violentos continuam operando com capacidade de ação e deslocamento em diferentes pontos da região".

A Acoforag também instou as autoridades a explicar por que, apesar do destacamento policial e do estado de exceção vigente na zona, continuam ocorrendo atentados contra trabalhadores, maquinário e empresas florestais.

Da Confederação Nacional de Donos de Caminhões (CNDC) fizeram um apelo ao Governo para reforçar as medidas de segurança na zona.

"Às autoridades pedimos que cumpram sua palavra de pôr fim ao violentismo. Não podemos continuar na mesma", afirmaram da organização.

Por sua vez, Patricio Santibáñez, presidente da Multigremial de La Araucanía, sustentou que existe "um recrudescimento da violência terrorista" e pediu ao Executivo que adote "medidas adicionais", junto com uma atitude "muito mais ofensiva e preventiva".

Da mesma forma, propôs a necessidade de criar uma unidade investigativa especial destinada a "desarticular o terrorismo" na Macrozona Sul.


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