Uma ampla operação policial foi registrada durante a madrugada desta terça-feira no interior da comunidade autônoma de Temucuicui, na comuna de Ercilla, onde agentes da Polícia de Investigações, com apoio de Carabineros e do Exército, concretizaram a prisão do comunero mapuche Jorge Huenchullán Cayul.

Trata-se da denominada “Operação Tridente”, devido à participação das três instituições mencionadas.

De acordo com informações obtidas pela Rádio Bío Bío, o procedimento que foi planejado e liderado pela polícia civil começou por volta das 02h00 desta terça-feira. Este teve como alvo a residência de Huenchullán, localizada no interior da comunidade indígena.

O acusado tinha duas ordens de prisão vigentes emitidas pelo Juizado de Garantia de Victoria. A primeira pelos crimes de tráfico ilícito de drogas, posse ilegal de armas de fogo e posse ilegal de munições. A segunda correspondia a uma ordem pendente pelo crime de usurpação não violenta, causa que está desde 2019.

No mesmo imóvel também foi presa Carolina Padilla Manquel, companheira do comunero. Ela tinha uma ordem de prisão pendente pelo crime de tráfico em pequenas quantidades.

Retirados de helicóptero

Segundo informações preliminares, ambos os detidos foram retirados de Temucuicui por meio de um helicóptero do Exército. Posteriormente, foram transferidos até a cidade de Victoria.

Durante o desenvolvimento do procedimento, ouviram-se disparos na região. No entanto, as unidades policiais conseguiram deixar a comunidade por volta das 02h50 sem registrar agentes feridos.

A operação ocorreu em uma das zonas mais complexas do conflito na Macrozona Sul, onde historicamente as incursões policiais têm sido marcadas por altos níveis de tensão e confrontos armados.

Quem é Jorge Huenchullán

No ano de 2002, no auge da Coordenadoria Arauco Malleco (CAM), a comunidade de Temucuicui se dividiu em duas. De um lado, a comunidade tradicional ou ancestral, liderada pela família Queipul; do outro, a denominada comunidade autônoma de Temucuicui, encabeçada pela família Huenchullán.

Desde então, ambas as estruturas coexistem em um mesmo território, marcado por tensões permanentes. Inclusive, ocorreram confrontos pontuais entre seus integrantes, em um enclave geográfico reduzido: um vale localizado a oeste da zona urbana de Ercilla, a pouca distância da Rota 5 Sul.

Nesse espaço, tanto a comunidade tradicional quanto a autônoma têm sido alvo de investigações por diversos crimes, entre eles ataques incendiários, narcotráfico, roubos com violência e subtração de madeira. Trata-se de fatos que, segundo as investigações em andamento, não envolvem a totalidade de seus membros, mas sim grupos específicos dentro de ambas as comunidades. Esses antecedentes fazem parte do contexto que resultou na operação policial realizada durante a madrugada.

Nesse cenário, Jorge Huenchullán Cayul se consolidou durante a última década como um dos rostos mais visíveis da comunidade autônoma de Temucuicui. Seu nome tem sido repetidamente vinculado a episódios de alta tensão com diferentes governos, procedimentos policiais e causas judiciais, em um território atravessado por reivindicações históricas de terras e pela presença de empresas florestais.

É descrito como um líder ativo e de linha dura dentro de sua comunidade. Conta com o apoio de uma parte relevante de seus integrantes e é visto como referência por outras comunidades mapuches mobilizadas na província de Malleco.

Sua liderança se expressa principalmente nas demandas territoriais. Ele exerceu de forma sistemática a função de porta-voz em instâncias de diálogo com empresas florestais e proprietários de terrenos em disputa, atuando como interlocutor em negociações complexas, muitas vezes sem resultados.

Paralelamente ao seu papel de liderança, Huenchullán esteve sob a atenção das polícias e do Ministério Público. Relatórios de inteligência o vinculam ao cultivo de cannabis em estufas instaladas em sua residência, junto a um suposto esquema de comercialização tanto no interior de Temucuicui quanto em comunas próximas, como Ercilla e Victoria. Essas acusações fazem parte de investigações em andamento.

Fonte:BiobioChile

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