Um plano de segurança que inclua um trabalho de inteligência para detectar a eventual infiltração de membros de organizações violentistas no aparato público é solicitado pelos setores produtivos da macrozona sul ao recém-empossado ministro da Segurança Pública, Martín Arrau.

O gerente da Associação de Contratantes Florestais, René Muñoz, destacou a necessidade de o Governo expor suas diretrizes para desbaratar os grupos violentistas. “Estamos há mais de dois meses esperando informações sobre algum plano, que tenha medidas diferentes do que já conhecemos”, afirma. “Constatar o ocorrido com a pessoa que trabalhava no Hospital de Maquehue e que era membro ativo da CAM demonstra o perigoso avanço desses grupos. Essas funções duplas precisam ser detectadas de alguma forma, através de um trabalho de Inteligência”, enfatiza Muñoz.

“Esperamos que o secretário de Estado (Arrau), que já esteve na região por questões de Obras Públicas, faça uma boa atuação e apresente um plano de segurança para a macrozona sul, já que a ministra anterior (Trinidad Steinert) nunca o expôs, porque, talvez, nunca o teve”, afirmou o ex-integrante da Comissão para a Paz e o Entendimento e presidente da Associação de Agricultores de Malleco, Sebastián Naveillán.

“Não podemos ignorar que uma pessoa trabalhe de dia em um lugar público e à noite participe de atentados como membro da CAM. É urgente um plano para erradicar a violência e desarticular o terrorismo”, diz Naveillán.

Junto com a garantia de que há expectativas favoráveis sobre a gestão de Arrau, disse que todo plano “deve ser discutido com as vítimas e os setores afetados pela violência, porque somos nós que vivemos aqui, conhecemos a realidade e somos os primeiros a investir a cada ano em nossa região, apesar da insegurança que vivemos por anos”.

Em relação ao trabalho de Inteligência na região, Naveillán enfatizou o caso de Álvaro Quinchanao Hueche, psicólogo e responsável pelo plano de saúde mental do Hospital Intercultural de Maquehue, morto na terça-feira em uma tentativa de emboscar um caminhão florestal perto de Nueva Imperial. Na quinta-feira, a Coordenadora Arauco Malleco (CAM) reivindicou Quinchanao como um de seus “melhores combatentes” e reconheceu que ele participava de uma sabotagem a caminhões florestais.

“Caso deve ser investigado a fundo”

Neftalí Carabantes, ex-subsecretário de Carabineros durante o governo do ex-presidente Ricardo Lagos e atual diretor do Centro de Estudos em Segurança da U. Central, considera que “estamos diante de um fato da maior gravidade que deve ser investigado a fundo pelo Ministério Público”.

Carabantes adverte que “a presença de profissionais, vinculados a grupos que exercem a violência, em serviços do Estado, em ONGs ou em instituições privadas, através de centros de saúde ou estabelecimentos educacionais, pode obedecer a uma estratégia de infiltração para permeá-los”.

Da mesma forma, ele propõe que “a utilização desses cargos, de salários e validação social e institucional também pode ser um suporte para financiar, dar apoio logístico ou encobrir atividades que são realizadas de forma clandestina e que são levadas adiante pela organização à qual pertencia”.

Sentem que não haveria uma contraposição”

A ex-autoridade considera que “é muito provável que certos profissionais de origem mapuche sintam que não haveria uma contraposição entre ter um trabalho em um serviço público, como é um hospital intercultural, que seria uma via de desenvolvimento pessoal, e ser parte da CAM, já que compartilhariam tanto suas reivindicações quanto seu diagnóstico político”. Nessa direção, Carabantes ressalta que “para um membro da CAM, os conflitos e demandas não se resolvem com políticas públicas, mas sim mediante a autonomia e a via armada”.

Fonte:El Mercurio

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