Diante da milionária ação da Fundação de Vítimas do Terrorismo, a Delegação Provincial de Arauco destacou que já existe um apoio integral implementado para os afetados pela violência rural.

Por sua vez, a deputada do distrito, Joanna Pérez, lembrou que durante a administração Boric foi alertado sobre essas ações legais.

É a primeira de várias ações que a Fundação de Vítimas do Terrorismo da Macrozona Sul prepara com seus advogados. Foi protocolada no Terceiro Juizado Cível de Concepción, denunciando que uma empresária que perdeu sua fonte de trabalho atribui responsabilidade ao Estado e, por isso, exige como reparação 2.800 milhões de pesos.

A respeito, o delegado provincial de Arauco, Pedro Marileo, lembrou que atualmente existe um Centro de Apoio às Vítimas em Cañete, dedicado a ressarcir economicamente as perdas decorrentes da violência rural; no entanto, acrescentou a autoridade, qualquer pessoa tem o direito de exercer as ações legais que considerar cabíveis.

"Em um estado de direito, cada pessoa, cada organização pode apresentar uma ação; neste caso, já tomamos conhecimento da ação da Fundação de Vítimas. Nós temos apoiado cada uma das organizações que hoje sofreu violência. Estamos realizando um levantamento para ver se efetivamente os recursos necessários estão sendo entregues para suprir economicamente as perdas que tiveram", afirmou Marileo.

Uma opinião divergente sobre essas ajudas foi dada pela deputada Flor Weisse, ao considerar que não levam em conta o nível real do problema.

"Foram implementadas diversas medidas, como o programa de violência rural, na minha opinião desconectado da realidade porque não reconhece o terrorismo que existe na região. Os fatos demonstram que não conseguiram lidar com a magnitude nem com a dinâmica do que ocorre e que os habitantes da macrozona sul vivenciam", expôs a parlamentar.

A isso, acrescentou que "nesse contexto, a morte de três carabineiros marcou um antes e um depois, porque evidenciou um nível de violência que impactou profundamente o país e que deixou clara a gravidade dessa crise".

Por sua vez, a deputada Joanna Pérez afirmou que esse tipo de ação não a surpreendia. A parlamentar lembrou que havia alertado o governo anterior sobre a possibilidade de vítimas fazerem valer a falta de serviço do Estado e o que se conseguiu foi o reforço do Estado de Exceção.

"Alertamos na época, por meio do INDH, onde muitas de suas próprias autoridades não quiseram ouvir, que tínhamos deslocamentos forçados e, certamente, também matérias que no futuro poderiam levar a ações contra o Estado por falta de serviço em matéria de segurança. No entanto, o governo teve dificuldade em entender e foi reforçando esses estados de exceção", afirmou.

Efetivamente, entre os argumentos que sustentam a primeira ação apresentada estão os deslocamentos forçados de pessoas a partir dos atentados, o que daria à ação legal a qualidade de violação de direitos humanos.

Fonte:BiobioChile

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