Antes do início da temporada de maior risco de incêndios florestais, autoridades e órgãos ligados à gestão de emergências já iniciaram o trabalho de coordenação para enfrentar o período 2026-2027. Na Região de La Araucanía, o Senapred liderou uma mesa regional de gestão de risco com a participação de instituições públicas, órgãos de emergência, forças armadas, polícias e representantes do setor florestal.
A instância busca fortalecer a preparação e definir ações preventivas para os próximos meses, considerando também as projeções climáticas associadas ao fenômeno El Niño, que pode influenciar as condições de risco durante a primavera e o verão.
Da Corporação Nacional Florestal (Conaf), seu diretor regional, Héctor Tillería, explicou que uma das principais tarefas será manter um monitoramento permanente das variáveis meteorológicas para antecipar cenários complexos.
"Estamos revisando continuamente os relatórios meteorológicos para nos anteciparmos às projeções e prepararmos adequadamente a temporada. Também estamos atentos a fatores associados ao fenômeno El Niño, que pode gerar um maior acúmulo de combustível vegetal durante a primavera", afirmou.
O diretor acrescentou que o trabalho coordenado com diferentes instituições permitirá contar com informações oportunas para enfrentar melhor eventuais emergências. Na mesa participaram representantes do Senapred, Conaf, Corma, Exército, Carabineros, autoridades sanitárias e outros órgãos ligados à gestão de riscos.
Por sua vez, o diretor regional do Senapred em La Araucanía, Ian Gorayeb, destacou que o planejamento começou com vários meses de antecedência para chegar preparado ao início da temporada crítica.
"A ideia é fortalecer o sistema e preparar os Comitês de Gestão de Risco de Desastres (Cogrid) nos diferentes níveis, especialmente o municipal. Queremos chegar ao segundo semestre com todas as medidas coordenadas e alinhadas com a Estratégia Nacional de Incêndios Florestais", indicou.
Gorayeb detalhou que, durante os próximos meses, serão realizados simulacros, exercícios de simulação, reuniões comunitárias e atividades de capacitação destinadas a melhorar a prevenção e a resposta diante desse tipo de emergência.
"Também buscamos fortalecer a cultura preventiva da população e aumentar o conhecimento sobre os riscos associados aos incêndios florestais, com o objetivo de reduzir o impacto sobre as pessoas, as moradias e o território", acrescentou.
Do setor florestal, valorizaram que as ações preventivas comecem durante o inverno, permitindo uma melhor preparação para os meses de maior risco. No entanto, insistiram na necessidade de avançar em uma legislação específica sobre incêndios florestais.
O presidente da Corma Biobío-Ñuble, Alejandro Casagrande, afirmou que o país precisa de uma normativa mais robusta que priorize a prevenção e aborde integralmente as causas que favorecem a ocorrência e propagação dos incêndios.
"Precisamos de uma lei forte que tenha foco na prevenção, em evitar a ocorrência e em reduzir a propagação dos incêndios florestais. Devemos avançar além de medidas pontuais e abordar o problema de forma estrutural", afirmou.
A preparação não se limita a La Araucanía. Nas regiões de Los Ríos e Los Lagos também estão sendo desenvolvidos planos de contingência e coordenação para enfrentar a próxima temporada. A experiência recente mostrou que o trabalho conjunto entre instituições pode gerar resultados positivos. Em Puerto Montt, por exemplo, a coordenação entre a Conaf e o município contribuiu para manter baixos níveis de ocorrência de incêndios durante a última temporada de verão.
Com a chegada do inverno, as autoridades concordam que a prevenção precoce, o monitoramento climático e o trabalho coordenado entre órgãos públicos, privados e comunidades serão fundamentais para reduzir o impacto dos incêndios florestais durante o próximo verão.
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