Como financiar em grande escala a restauração de ecossistemas e a proteção das florestas? Essa foi uma das perguntas que motivou um encontro organizado pelo Laboratório de Ecologia da Paisagem da Universidade de Concepción e pela South Pole, onde especialistas discutiram o papel dos mercados de carbono florestal na ação climática.

Durante o seminário “Rumo a um mundo de emissões líquidas zero: REDD+ jurisdicional, ART TREES e mercados de carbono florestal”, os participantes analisaram a evolução desse mercado, a busca por qualidade e escala em projetos REDD+ e a integridade das reduções e remoções sob o ART TREES, uma das principais referências para programas jurisdicionais de carbono florestal que abrangem regiões ou territórios inteiros.

Da mesma forma, foram apresentados os avanços do projeto Chile J-REDD+, impulsionado pela South Pole, juntamente com os desafios que sua eventual implementação no país apresenta.

Um dos principais consensos foi que o desenvolvimento desse tipo de iniciativa exige muito mais do que financiamento. Também demanda evidência científica robusta, padrões rigorosos, mecanismos de governança e espaços de diálogo que permitam gerar confiança entre instituições públicas, setor privado, academia e organismos internacionais.

O diretor de Sustentabilidade da Universidade de Concepción e do LEP UdeC, Cristian Echeverría Leal, comentou que a colaboração entre ambas as instituições surgiu de uma complementaridade estratégica voltada a trazer conhecimento científico e experiência internacional para essa discussão.

“O LEP contribui com uma trajetória científica consolidada em ecologia da paisagem, análise espacial, mudança do uso do solo, degradação de floresta nativa, restauração ecológica e planejamento territorial, enquanto a South Pole oferece experiência em mercados de carbono, soluções baseadas na natureza e desenvolvimento de programas climáticos em diferentes escalas”, destacou.

Dessa forma, o encontro permitiu compartilhar evidências, metodologias e experiências que podem contribuir para futuras decisões públicas, privadas e acadêmicas relacionadas ao carbono florestal, à restauração ecológica e à gestão territorial.

Sobre os próximos passos, Keegan Eisenstadt, Diretor Sênior Global para Soluções Baseadas na Natureza da South Pole, sinaliza que o projeto se encontra em uma etapa de pré-viabilidade voltada a avaliar sua viabilidade técnica, institucional e de governança. Caso obtenha resultados favoráveis, avançaria para uma fase de design que incorporaria salvaguardas, monitoramento e validação sob o ART TREES antes de uma eventual implementação.

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