Para que um setor econômico possa se desenvolver de forma sustentável, são necessárias pelo menos duas condições fundamentais: políticas públicas claras, respaldadas por uma institucionalidade sólida, e certezas jurídicas que permitam investir e planejar com uma visão de longo prazo.

Hoje, o Estado do Chile não está garantindo plenamente nenhuma dessas condições. Há mais de 15 anos, o setor florestal enfrenta uma deterioração persistente marcada por atos de violência, destruição de máquinas e equipamentos de trabalho, queima de florestas e insegurança territorial.

Durante décadas, plantar uma floresta foi considerado um investimento de longo prazo, uma alternativa para complementar a aposentadoria ou financiar os estudos dos filhos. No entanto, essa percepção mudou. Para muitas famílias, a atividade florestal deixou de representar uma opção segura e confiável.

Regiões com uma reconhecida tradição florestal começaram a perder parte de sua identidade produtiva devido ao fechamento de indústrias, serrarias de diferentes tamanhos, empresas contratadas, oficinas mecânicas, oficinas e diversos negócios ligados ao setor. Essa contração produtiva está enfraquecendo progressivamente o tecido econômico e social de amplas zonas florestais do país.

A essa realidade se soma uma resposta institucional que avança com menor rapidez do que a magnitude do problema exige. Enquanto a atividade florestal continua recuando, a lentidão na implementação de medidas eficazes dificulta reverter uma tendência que aprofunda a deterioração do setor e aumenta a incerteza daqueles que dependem dessa atividade.

Como país exportador de produtos florestais, o Chile também enfrenta os efeitos de um cenário internacional complexo. A desaceleração dos mercados tem pressionado para baixo os preços de exportação, enquanto os custos operacionais continuam aumentando. Essa combinação reduz as margens de rentabilidade, desincentiva o investimento e tensiona ainda mais a viabilidade econômica do negócio florestal.

Dessa forma, o setor enfrenta simultaneamente dois grandes desafios: uma crise externa, associada ao contexto econômico internacional, e uma crise interna, ligada a problemas persistentes de segurança pública, incêndios florestais intencionais e roubo de madeira. A convergência desses fatores continua erodindo a atividade florestal e comprometendo sua sustentabilidade futura.

Em síntese, o setor atravessa uma crise profunda, caracterizada por uma menor oferta de serviços, tarifas baixas, crescente informalidade trabalhista, término antecipado de contratos e uma projeção altamente incerta. Essa situação afeta diretamente trabalhadores, contratados florestais e empresas contratantes, colocando em risco a continuidade de uma atividade estratégica para o desenvolvimento econômico e social de diversas regiões do país.

O desafio é urgente. Recuperar as condições para que o setor florestal volte a crescer requer decisões oportunas, maior segurança, estabilidade regulatória e uma visão de longo prazo que permita recuperar a confiança daqueles que investem, trabalham e vivem da floresta.

O editorial naRevista Acoforag



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