Em um cenário marcado pela diminuição das áreas plantadas e pelas consequências deixadas pelos grandes incêndios florestais dos últimos anos, o anúncio de uma nova lei de fomento florestal abriu expectativas quanto à recuperação do patrimônio florestal do país e ao futuro abastecimento de matéria-prima para a indústria.
Em entrevista exclusiva ao Diário La Tribuna e à Rádio San Cristóbal, Hernán Muñoz Bernal, presidente da PymeMad Maule e da PymeMad Nacional A.G., analisou as implicações desta iniciativa. Embora o setor reconheça que é urgente replantar o maior número possível de hectares e espécies no Chile, eles enfatizam que a política pública deve focar diretamente nas PMEs. A principal razão é que, diferentemente das grandes empresas, as PMEs não podem adquirir patrimônio florestal por conta própria devido aos altos investimentos necessários. Além disso, os porta-vozes alertam que esse tão esperado fomento — cujos efeitos serão vistos a longo prazo — não interromperá a grave crise imediata que as serrarias enfrentam, desencadeada pelos grandes incêndios ambientais dos últimos anos.
A CRISE DAS SERRARIAS E O IMPACTO DOS INCÊNDIOS
Muñoz Bernal é enfático ao esclarecer que a crise atual das serrarias tem uma causa direta: a perda de massa florestal devido aos incêndios. Essa perda originou-se nos sinistros de 2017 na região de Maule e, posteriormente, em 2023 nas regiões de Ñuble e Biobío, reduzindo cerca de 5 milhões de metros cúbicos anuais de madeira para processamento. Segundo dados do Instituto Florestal (Infor), nos últimos cinco anos já foi contabilizado o fechamento de cerca de 130 serrarias em todo o território. A situação não melhorará tão cedo: a cada grande incêndio, cerca de 100 instalações fecham, então o setor projeta que entre 70 e 100 serrarias a mais baixarão as portas nos próximos cinco anos. Como a nova lei de fomento florestal não resolverá essa urgência, o setor busca ajuda rápida. Recentemente, reuniram-se com o Ministério da Economia para formar uma mesa de trabalho que permita evitar fechamentos, reduzir custos operacionais, aumentar a produtividade e agregar valor, considerando paralelamente questões tecnológicas e de economia de energia.
ATUALIZAÇÃO DO DL 701 E FOMENTO AO PLANTIO
Historicamente, o desenvolvimento florestal do Chile foi impulsionado pelo Decreto Lei 701, uma ferramenta que Muñoz classifica como muito boa para sua época. Graças aos seus benefícios, foi possível plantar entre 70.000 e 80.000 hectares anuais. No entanto, sem esses incentivos, hoje o país mal consegue plantar um máximo de 600 hectares por ano. Por isso, o dirigente ressalta que o novo projeto não deve apenas fornecer financiamento, mas atualizar completamente a regulamentação sobre a atividade. Devem ser integrados acordos como a Política Florestal 2015-2035, o manual de plantios e protocolos que garantam o pleno respeito à biodiversidade e ao território, variáveis que o antigo DL 701 omitia em sua época. Questionado sobre um recente acordo assinado pela Corporação Chilena da Madeira (Corma) para abrir um mercado de créditos de carbono para PMEs florestais, o presidente indicou que seu setor não foi convidado para essa reunião, embora afirme que toda ajuda voltada para pequenas empresas será sempre bem-vinda.
ESPÉCIES MADEIREIRAS E O MOTOR ECONÔMICO DA ZONA SUL
Uma exigência profunda da PymeMad é que o novo fomento concentre seus recursos e priorize as espécies madeireiras voltadas para a construção. O motivo é que essa madeira é o material que oferece maiores benefícios diante das mudanças climáticas, destacando-se por sua altíssima capacidade de retenção de carbono. Embora os representantes não se oponham ao fomento estatal de outras espécies para celulose, insistem firmemente que, diante da indubitável escassez de recursos econômicos, a prioridade governamental deve ser a madeira sólida. Esse apoio é absolutamente vital para consolidar o desenvolvimento de toda a macrorregião sul, abrangendo desde a sexta região até o extremo sul do país. O setor madeireiro é um grande gerador de empregos, funcionando como o principal motor econômico para milhares de famílias chilenas que dependem dessas atividades silvoagropecuárias.
DESMISTIFICANDO O SETOR DIANTE DO DESCONHECIMENTO POLÍTICO
O caminho legislativo para o novo modelo enfrentará duros desafios políticos em relação à sua implementação prevista para 2027, devido à profunda ideologização do debate florestal. Muñoz lamenta que diversas espécies biológicas tenham sido demonizadas por total desconhecimento da população. A título de exemplo, ele lembra que a espécie do pinheiro foi introduzida no país antes do ano 1900 com o nobre propósito de proteger solos degradados e cuidar de importantes fontes de água, benefícios ecológicos que hoje estão plenamente demonstrados pela ciência florestal contemporânea. Apesar dessa evidência comprovável, as notícias falsas ou "fake news" continuam muito enraizadas na cidadania e nos próprios legisladores. Diante desse complexo cenário midiático, a PymeMad e outros setores trabalham arduamente para desmentir falsidades operacionais, esperando que as autoridades respectivas legislem pensando sempre no bem superior do país e não cedendo a um ativismo que classificam como baseado puramente em mentiras.
Fonte:La Tribuna
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