A Associação de Contratantes Florestais (Acoforag) acendeu os alertas sobre a situação que atravessa a indústria florestal chilena, após as recentes demissões anunciadas por grandes empresas do setor e as dificuldades enfrentadas por contratantes e trabalhadores na macrozona sul.

Em entrevista à BiobíoChile, o gerente da Acoforag, René Muñoz, afirmou que as demissões registradas em empresas como Arauco e CMPC são apenas uma manifestação visível de uma crise que, em sua opinião, vem se gestando há décadas.

"Estes são os sintomas de uma doença que trazemos há 29 anos. O setor florestal tem sido atacado e destruído sistematicamente, sem que o Estado considere a importância desta atividade para o desenvolvimento regional e o emprego", afirmou.

Muñoz destacou que a atividade florestal é uma das indústrias mais sustentáveis do país e questionou a falta de apoio estatal a um setor que gera milhares de postos de trabalho e contribui significativamente para as exportações nacionais.

Fatores que explicam a deterioração

Segundo o dirigente sindical, a situação atual responde a uma combinação de fatores que impactaram a competitividade da atividade florestal.

Entre eles, mencionou a violência rural, o aumento dos custos trabalhistas, o incremento das contribuições previdenciárias, a implementação da jornada de trabalho de 40 horas, o aumento dos combustíveis e os incêndios florestais. "Quando um setor é submetido a todos esses fatores que vão contra ele, é lógico que ocorra o que está ocorrendo hoje. Os que mais sofrem são os trabalhadores e suas famílias", sustentou.

Florestamento em mínimos históricos

Um dos temas que mais preocupa a Acoforag é a queda do florestamento no Chile. Muñoz assinalou que há mais de uma década o país deixou de plantar nos níveis que mantinha durante os anos 2000. "Entre 2000 e 2010, florestavam-se cerca de 40 mil hectares por ano. No ano passado, mal se florestaram cerca de 1.800 hectares. Essa queda reflete claramente o que o setor está sentindo", indicou.

Em sua opinião, a falta de políticas de fomento contrasta com o que ocorre em outros países, onde o florestamento é promovido ativamente como uma ferramenta de desenvolvimento econômico e ambiental.

Impacto no emprego

Em relação às consequências trabalhistas, Muñoz estimou que a atividade florestal perdeu cerca de 4.000 postos de trabalho na zona sul do país. "O setor florestal movimenta entre 23 mil e 27 mil trabalhadores. Desse número, retrocedemos significativamente porque as condições para investir e trabalhar simplesmente não existem", explicou.

O dirigente sustentou que a falta de certezas jurídicas e de condições adequadas para o desenvolvimento da atividade estão freando novos investimentos e enfraquecendo a cadeia produtiva.

Queda das exportações

As preocupações do setor são reforçadas pelos últimos indicadores econômicos. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), as exportações florestais do Biobío registraram uma diminuição de 21,5% durante abril.

Para Muñoz, trata-se de um sinal preocupante considerando o peso que a atividade florestal tem na economia regional. "O setor florestal exporta cerca de 6 bilhões de dólares por ano. Uma queda dessa magnitude tem um impacto enorme nas empresas e nos territórios onde a atividade se desenvolve", afirmou.

Da mesma forma, lembrou que a indústria florestal representa uma parte importante da atividade econômica do Biobío, gerando emprego direto e indireto e concentrando grande parte do movimento exportador dos portos regionais.

Em matéria de segurança, Muñoz insistiu que a violência rural continua sendo um dos principais obstáculos para o desenvolvimento do setor.

Embora tenha reconhecido que os números oficiais mostram uma diminuição dos atentados em algumas zonas, afirmou que existem setores onde a atividade produtiva continua sendo extremamente complexa.

Além disso, propôs a necessidade de fortalecer as faculdades associadas ao estado de exceção constitucional, incorporando ferramentas como a Lei de Infraestrutura Crítica e maiores atribuições para as Forças Armadas.

"As Forças Armadas acompanham a Polícia, mas poderiam ser muito mais efetivas se contassem com maiores capacidades operacionais, como realizar controles de identidade", assinalou.

Apelo ao Governo

Finalmente, o gerente da Acoforag questionou que os contratantes florestais não tenham sido considerados em recentes reuniões sobre segurança realizadas na província de Arauco e pediu que as autoridades ouçam aqueles que vivenciaram diretamente as consequências do conflito.

"As principais vítimas durante estes 29 anos têm sido os contratantes florestais, os trabalhadores e suas famílias. Acreditamos que temos muito a contribuir para o debate sobre o futuro do setor e as medidas que devem ser adotadas", concluiu.



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