A Região de Ñuble recebeu esta semana uma missão técnica do Projeto +Bosques, iniciativa executada no âmbito da Estratégia Nacional de Mudanças Climáticas e Recursos Vegetacionais (Enccrv), implementada pela Corporação Nacional Florestal (Conaf) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Chile.
A atividade teve como objetivo conhecer in loco o estado de avanço do Projeto +Bosques na região, considerando visitas técnicas a iniciativas vinculadas a trabalhos de restauração ecológica e ação climática que vêm sendo executados nos últimos três anos nos municípios de Ninhue, Cobquecura e Quillón.
A delegação foi liderada pelo Oficial Técnico Líder da FAO Roma, Lucio Santos Acuña; pelo especialista em Financiamento Climático da FAO Roma e ponto focal junto ao Fundo Verde do Clima, Simone Quagquarelli; e pela Representante da FAO Chile, Maya Takagi.
Na jornada inaugural, a delegação conheceu o estado de avanço do projeto +Bosques na região, que atinge 88% de avanço, correspondente a um total de 1.508 hectares em 187 propriedades adjudicadas de uma meta de 1.709 hectares que a Região contempla até o ano de 2027, com um investimento de 2.327 milhões de pesos, com soluções voltadas para a criação de novas florestas a partir de florestamentos com espécies nativas, ao manejo sustentável da floresta nativa, restauração de ecossistemas e prevenção de incêndios florestais.
O deslocamento em campo contemplou a visita a quatro projetos de manejo de vegetação exótica, plantio de espécies nativas, construção de obras de conservação do solo e restauração de florestas afetadas por incêndios florestais.
Jessica Melgarejo Soto, chefe do Depto. de Florestas e Mudanças Climáticas da Conaf Ñuble, destacou que “essas experiências fazem parte dos projetos que estamos executando na região, e que estão voltados para o florestamento com espécies nativas em solos descobertos, aumentando assim a cobertura vegetacional e a biodiversidade; e por outro lado, temos experiências em reconversão gradual de plantações de pinus radiata e eucalipto globulus para espécies nativas, por meio da incorporação de espécies características das florestas nativas da região de Ñuble”.
Uma das experiências visitadas é o projeto da propriedade Quilico, no setor Peñablanca, do município de Quillón, em implementação desde o ano passado. Seu proprietário, Carlos Ruíz, destacou que “este projeto nos permite reorientar o manejo da floresta exótica, revertê-la para a floresta nativa, realizando plantio sob dossel e diques para contenção de voçoroca em um morro que ficou muito erodido após o incêndio de 2023. Tem sido um trabalho coletivo que nos permitiu avançar com a ajuda de consultores, profissionais e as equipes operacionais que realizam essas tarefas”.
Avaliação positiva da FAO
A representante da FAO Chile, Maya Takagi, destacou as experiências que puderam conhecer neste percurso por Ñuble, “especialmente pelas metodologias aplicadas para a restauração da floresta após incêndios, erosões e o uso intensivo do solo, por isso é muito satisfatório constatar o compromisso demonstrado das equipes técnicas e dos proprietários dessas propriedades, considerando que são também territórios com um uso bastante intensivo dos recursos naturais”.
Por sua vez, Lucio Santos, Oficial Técnico Líder da FAO Roma, destacou dois aspectos fundamentais do trabalho desenvolvido na região. “Em primeiro lugar, a transformação progressiva para a recuperação da vegetação nativa tem sido uma aposta muito importante na busca de uma abordagem integral para a gestão de proteção contra incêndios florestais; e assim também, vale destacar a função social do programa +Bosques, que se reflete nessas visitas, onde os proprietários reconhecem o impacto que a recuperação da floresta nativa tem na construção de tecido social”.
Finalmente, o diretor da Conaf Ñuble, Domingo González Zúñiga, agradeceu o deslocamento da missão técnica, destacando que “representou uma oportunidade para visibilizar in loco o impacto do projeto +Bosques na região e ressaltar a contribuição das soluções baseadas na natureza frente às mudanças climáticas, contribuindo para a recuperação de ecossistemas, a conservação da biodiversidade e o fortalecimento dos territórios rurais”.
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