Por Ignacio Vera Izquierdo, gerente geral da Forestal Santa Blanca
A recente desarticulação de uma quadrilha dedicada ao roubo de madeira em Ñuble — que culminou com 17 detidos e mais de $5.000 milhões em bens apreendidos — volta a evidenciar um tema crucial para o futuro do setor: sem segurança nos territórios não há investimento, não há recuperação de florestas e não há crescimento sustentável da pequena e média indústria florestal.
“O crime organizado não apenas ameaça a segurança das pessoas, também limita o investimento, o emprego e as oportunidades de desenvolvimento. A segurança é condição básica para que o setor florestal possa crescer sobre bases sólidas”, afirma Ignacio Vera Izquierdo, gerente geral da Forestal Santa Blanca.
O Plano de Segurança impulsionado pelo Governo adquire assim uma dimensão estratégica: não se trata unicamente de combater a delinquência, mas de garantir um ambiente que permita a proprietários, contratistas e empreendedores desenvolver suas atividades sem ameaças permanentes.
Este debate ganha especial relevância em momentos em que o Ministério da Agricultura prepara um projeto de lei para fomentar a atividade florestal durante o segundo semestre. A iniciativa busca incentivar o reflorestamento de milhares de hectares afetados por incêndios, promover novas fontes de financiamento associadas a créditos de carbono e fortalecer especialmente pequenos e médios produtores.
“Qualquer política de fomento terá um alcance limitado se não existir um ambiente seguro para investir. Plantar, manejar ou recuperar uma floresta é uma aposta de longo prazo que requer certeza jurídica e estabilidade institucional”, destaca Vera Izquierdo.
O próprio ministro Jaime Campos tem advertido que o Chile está perdendo competitividade frente a países que oferecem melhores condições para o investimento florestal. Neste cenário, a oportunidade é clara: consolidar uma agenda que combine segurança, fomento florestal e desenvolvimento territorial.
“A operação em Ñuble demonstra que quando o Estado age com decisão é possível recuperar espaços para a atividade produtiva. O desafio agora é transformar esses resultados em uma política de longo prazo que permita que o setor florestal volte a crescer de maneira sustentável”, conclui o gerente geral da Forestal Santa Blanca.
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