Desde que o estado de exceção começou a vigorar ininterruptamente na macrorregião sul, em 17 de maio de 2022, o decreto presidencial estabeleceu duas chefias da Defesa Nacional para as zonas de emergência. A Marinha foi designada para as duas províncias e 21 comunas de Biobío onde a medida está em vigor. Enquanto isso, nas 32 comunas de La Araucanía, a responsabilidade recaiu sobre o Exército.
Em seu "Relatório de violência" de maio, a Multigremial de La Araucanía analisou este tema. Além de destacar a decisão do Governo de aperfeiçoar o mecanismo constitucional, manifestou preocupação quanto à definição de um comando único (que ficaria a cargo do Exército).
"As mudanças anunciadas para o estado de emergência abrem uma nova etapa, que precisa ser observada com atenção. A partir de 20 de junho, será substituída uma estrutura que durante quatro anos operou com dois chefes da Defesa Nacional — um para La Araucanía e outro para Biobío — por um esquema concentrado sob um comando único. Essa mudança ocorre em um contexto onde o próprio decreto reconhece que persistem ameaças à segurança e onde os resultados territoriais continuam sendo distintos", aponta o documento. A análise acrescenta que, "atualmente, 77% dos atos de violência da macrorregião sul se concentram em La Araucanía".
Da mesma forma, o relatório observa que a modificação das chefias coincide com dois marcos judiciais: em 16 de junho, a Suprema Corte deverá resolver os recursos apresentados pelas defesas dos quatro acusados do homicídio de três carabineiros, e em 23 de junho começa o julgamento contra 21 acusados de atacar a família Grollmus.
"Esperamos que não haja nenhum prejuízo"
Durante a apresentação do estudo, o presidente da Multigremial de La Araucanía, Patricio Santibáñez, abordou o tema do comando único. "Esperamos que seja feito com o máximo cuidado, para que todas as forças que hoje atuam continuem fazendo como têm feito até agora", expressou. Acrescentou que "acreditamos que o contingente não vai mudar, porque se trata de otimizar e melhorar as coordenações, e esperamos que isso não signifique nenhum prejuízo das capacidades operacionais atuais", e pediu às autoridades que "expliquem como essa medida será implementada".
O diretor destacou o conjunto de ações que buscam aperfeiçoar a medida excepcional. "Aqui há mudanças nas atribuições dos militares; há reforço das capacidades investigativas e operacionais, e está a decisão de entrar em estradas, com os contratados do MOP para executar rotas que não são feitas há muito tempo", destacou.
O ex-senador Felipe Harboe, pesquisador do Centro de Estudos em Segurança e Crime Organizado da U. San Sebastián, considera que, "mais do que a quantidade de comandos que existam, o importante é que a capacidade operacional seja reforçada". O também ex-subsecretário do Interior afirma que "embora a presença das Forças Armadas tenha significado um apoio em segurança, ainda existem atos de violência que demandam uma maior presença de contingente policial e militar".
Fonte:El Mercurio
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