Uma ampla operação policial realizada na província de Arauco permitiu a detenção de quatro supostos integrantes da Resistência Mapuche Lafkenche (RML), organização à qual as autoridades atribuem diversos atos de violência rural ocorridos na região do Biobío nos últimos anos.

A diligência, liderada pela Polícia de Investigações (PDI) em conjunto com o Ministério Público e com apoio de efetivos da Marinha, foi concretizada durante a madrugada em diferentes setores da comuna de Cañete. No procedimento participaram cerca de 150 funcionários especializados.

Os detidos foram identificados como Alexis Llanquileo Mariñan, Eduardo Donoso Tromelao, César Millanao Huenul e Diego Lincopan Nahuelan, que serão formalizados por sua suposta participação em crimes de homicídio, incêndios reiterados e roubo com violência.

Investigação se estendeu por quase seis anos

A causa tem sua origem em um violento ataque ocorrido em 8 de setembro de 2020 no setor Laguna Lloncao, onde um grupo armado invadiu várias residências rurais. Segundo os antecedentes coletados pelo Ministério Público e pela PDI, os atacantes intimidaram os moradores, obrigando-os a abandonar suas casas antes de atear fogo às construções.

Após o atentado, os responsáveis subtraíram veículos e diversas espécies para facilitar sua fuga. No entanto, durante a fuga, encontraram-se com um automóvel que circulava por um caminho interior da zona.

De acordo com a investigação, os ocupantes foram obrigados a descer e posteriormente os atacantes efetuaram disparos contra o veículo. Como consequência, faleceu Moisés Orellana Pavez, um jovem de 21 anos que recebeu impactos balísticos que lhe provocaram a morte.

Os veículos roubados foram posteriormente incendiados em outro ponto da província, fechando uma cadeia de fatos que o Ministério Público classificou como um dos episódios mais graves registrados na zona durante esse período.

Vinculam um dos detidos a outro ataque incendiário

A investigação também permitiu estabelecer nexos entre um dos imputados e outro atentado ocorrido em fevereiro de 2022 no setor Los Ríos, na comuna de Los Álamos.

Nesse fato, um grupo armado incendiou uma vintena de máquinas e veículos de trabalho. Além disso, um dos trabalhadores presentes resultou ferido por impactos de bala em uma de suas pernas.

A fiscal regional do Biobío, Marcela Cartagena, explicou que o trabalho científico-técnico desenvolvido pela PDI foi chave para identificar um dos participantes.

Segundo detalhou, a análise de imagens e evidências permitiu reconhecer um sujeito encapuzado que descia de um veículo portando uma arma de fogo para intimidar um motorista de caminhão durante o atentado. Essa identificação derivou finalmente em uma das detenções concretizadas esta semana.

Organização sob investigação

Embora o Ministério Público tenha evitado classificar algum dos detidos como líder da organização, sustentou que existem antecedentes que os vinculam com a estrutura operativa da Resistência Mapuche Lafkenche, grupo que nos últimos anos tem se adjudicado diversos ataques incendiários na província de Arauco.

As autoridades recordaram que a investigação pelo atentado de Laguna Lloncao já havia derivado anteriormente na condenação de outros 12 envolvidos, que receberam penas que somam até 28 anos de prisão por crimes de incêndio reiterado e roubo com intimidação.

Os quatro detidos foram colocados à disposição do Juizado de Garantia de Cañete, onde enfrentarão o controle de detenção e a formalização de acusações pelos crimes que lhes são imputados. O Ministério Público solicitará medidas cautelares enquanto continua o desenvolvimento da investigação.

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