Ignacio Vera Izquierdo, gerente geral da Forestal Santa Blanca

A indústria florestal chilena atravessa uma conjuntura que não admite eufemismos: as exportações caíram 15% no último ano, arrastadas pela aplicação do Regulamento Europeu de Desmatamento (EUDR) e pela recente decisão dos Estados Unidos de elevar tarifas sobre produtos de maior valor agregado. O golpe é duplo e ameaça desarticular um setor que tem sido motor de emprego rural e competitividade regional.

A Europa exige rastreabilidade e certificações ambientais mais rigorosas. Não se trata de um capricho burocrático, mas de uma tendência irreversível: os mercados demandam credibilidade e padrões internacionais robustos. A consequência imediata tem sido a retenção de embarques e o fechamento de serrarias em Biobío e Maule, com efeitos sociais que transcendem os números de exportação. A madeira chilena deve demonstrar que provém de manejo responsável, e o único caminho é acelerar a consolidação de selos como FSC e normas ISO que garantam sustentabilidade.

Em paralelo, os Estados Unidos introduzem incerteza tarifária em bens que não competem com sua produção local — molduras, madeira podada, painéis compensados —, restringindo margens e pressionando tanto pequenas e médias empresas quanto gigantes como a Arauco, que geram milhares de empregos e mais de US$ 2 bilhões em vendas nesse mercado. O paradoxo é evidente: pune-se um setor que complementa, não substitui, a oferta americana.

O que fazer diante desse cenário? Três caminhos se impõem com urgência:

• Diversificar mercados: Ásia e Oriente Médio não são promessas distantes, mas destinos concretos. Filipinas, Indonésia, Bangladesh e Índia exigem estratégias de "trabalho de formiguinha", com presença sustentada e adaptação cultural.

• Fortalecer certificações: consolidar padrões internacionais não só abre portas na Europa, mas também constrói confiança em mercados emergentes.

• Negociar condições: o Ministério das Relações Exteriores e a SUBREI devem apresentar argumentos sólidos para excluir produtos florestais chilenos do aumento tarifário nos EUA, defendendo emprego e desenvolvimento regional.

A crise atual é também uma oportunidade. O Chile pode reposicionar sua madeira como um produto sustentável, certificado e competitivo, capaz de conquistar novos mercados enquanto defende em fóruns internacionais um marco tarifário justo. A disjuntiva é clara: ou se assume o desafio com visão estratégica, ou se corre o risco de perder uma liderança que custou décadas para ser construída.


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