Em uma missão quase impossível se transformou nesta semana comprar pellet para aquecimento em Chillán, uma situação que se repete nas cidades do centro-sul e sul do país, onde os consumidores relatam desabastecimento do dendroenergético.

Nos pontos de venda de Chillán, os armazéns se esvaziaram nos últimos dias e as pequenas reposições se esgotam em poucas horas, comentaram vendedores.

Desde a Associação Chilena de Biomassa (Achbiom), entidade que reúne os principais produtores do país, atribuíram o problema ao aumento da demanda de pellet durante as últimas semanas no sul do país, associado às condições climáticas e às baixas temperaturas, o que, garantiram, "exigiu esforços adicionais de produção e logística para responder oportunamente aos consumidores".

Daniela Espinoza, gerente da Achbiom, expôs que "a indústria do pellet tem uma sazonalidade marcada. A produção se concentra fortemente durante os meses de verão, enquanto o consumo se concentra principalmente entre março e setembro. Portanto, à medida que o inverno avança, os estoques acumulados vão diminuindo e, quando ocorrem períodos de baixas temperaturas e picos de consumo, aumenta consideravelmente a pressão sobre os inventários disponíveis e a cadeia de distribuição".

Vale ressaltar, no entanto, que esse fenômeno não foi observado no ano passado e também não foi registrado com outros combustíveis. Alguns atores apontam para certas limitações da cadeia de distribuição e para a evolução própria de um mercado ainda não maduro e em constante dinamismo, com a irrupção de novos produtores e o desaparecimento de outros. De fato, a tendência mostra um crescimento sustentado tanto da demanda quanto da produção.

Desde a entidade descartaram que a escassez se deva à falência da empresa Innapel, da Região do Biobío, no início de junho. "A saída da Innapel teve um efeito no mercado, porque se tratava de um ator relevante, mas não o mais importante em níveis de produção. A demanda que anteriormente era abastecida por essa empresa foi absorvida por outros produtores", declarou Espinoza.

Em junho passado, quando a Innapel iniciou o processo de liquidação, apontou para o aumento de custos e a queda de 40% da matéria-prima, como resultado do fechamento de 200 serrarias no país e dos hectares consumidos pelos incêndios.

"Momento de aperto"

Por sua vez, o seremi de Energia de Ñuble, Cristián Jaque, foi categórico ao afirmar que "hoje não existe um rompimento de estoque de pellet no país, mas sim estamos em um momento de aperto que estamos monitorando de forma permanente desde o Ministério de Energia".

A autoridade indicou que, "como mercado privado, o estado não fixa preços nem produção, mas sim solicitamos às empresas informar seu estoque a cada 15 dias. Em 31 de julho, nos reportam estoque disponível e capacidade de produção para abastecer o consumo estimado deste inverno".

Da mesma forma, Jaque sustentou que "se em alguma comuna faltou fornecimento, foi por questões logísticas pontuais, não por falta de produto. Por isso o apelo é à calma e a comprar de forma responsável o justo e necessário para cada lar".

Evolução do mercado

Por outro lado, a gerente da Achbiom destacou que "a tendência que observamos é a de um mercado que continua crescendo, tanto do ponto de vista da produção quanto da demanda".

Precisou que durante 2025 foram produzidas mais de 250 mil toneladas de pellet e que a Região do Biobío continua sendo o principal polo produtor do país, seguida por Maule e La Araucanía.

Daniela Espinoza acrescentou que, "do ponto de vista da demanda, o consumo se concentra principalmente na zona centro e sul do país. A Região de Los Lagos é a região com maior demanda de pellet em nível nacional".

Embora em Ñuble existam plantas produtoras de pellet, vinculadas a serrarias médias e pequenas, a produção agregada não cobre a demanda total. Fontes do setor concordam que a zona conta com matéria-prima suficiente para a instalação de novas plantas.

Fonte:La Discusión

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