Mais de 20 instituições públicas e privadas do Chile, Argentina, Reino Unido e Alemanha renovaram seu compromisso com a conservação das Rãs de Darwin, por meio da segunda edição de uma estratégia binacional que estabelece um roteiro para proteger essas espécies entre 2026 e 2040.

A iniciativa reúne órgãos governamentais, universidades, organizações não governamentais, instituições zoológicas e representantes do setor privado, consolidando mais de uma década de trabalho colaborativo para enfrentar as ameaças que afetam esses pequenos anfíbios das florestas temperadas do Chile e da Argentina.

As protagonistas dessa estratégia são a rã de Darwin do norte ou sapinho vaqueiro (Rhinoderma rufum) e a rã de Darwin do sul (Rhinoderma darwinii). Ambas possuem uma característica reprodutiva extraordinária: os machos são responsáveis por criar os girinos dentro de seu saco vocal, um comportamento de cuidado parental único entre as mais de 9.000 espécies de anfíbios conhecidas no mundo.

A situação de ambas as espécies é preocupante. A rã de Darwin do norte não é observada desde 1981 e está classificada como Em Perigo Crítico e Possivelmente Extinta. A espécie do sul, por sua vez, está catalogada como Em Perigo de Extinção e sobrevive em populações altamente isoladas.

Ameaças para sua sobrevivência

As duas espécies dependem das florestas nativas, ecossistemas que enfrentam uma pressão crescente devido à perda e degradação do habitat, às mudanças climáticas, aos incêndios florestais e à quitridiomicose, uma doença infecciosa que tem provocado importantes diminuições de populações de anfíbios em diferentes partes do planeta.

A atualização da estratégia busca justamente fortalecer as ações destinadas a enfrentar essas ameaças e melhorar a coordenação entre os diferentes atores envolvidos em sua conservação.

Desde a criação da Estratégia Binacional em 2018, um amplo trabalho foi desenvolvido entre instituições de ambos os países. No entanto, uma avaliação realizada em 2024 mostrou que apenas cerca de metade das ações vinculadas à mitigação e controle de ameaças estava sendo implementada, enquanto as iniciativas relacionadas à pesquisa científica apresentavam um maior nível de avanço.

Entre as principais dificuldades identificadas estiveram o impacto da pandemia de COVID-19, as limitações de financiamento, o difícil acesso a algumas zonas onde habitam as espécies e as mudanças de autoridades governamentais.

Diante desse cenário, a nova versão incorpora modificações destinadas a medir de maneira mais concreta os resultados das ações de conservação e a fortalecer o vínculo entre a pesquisa científica e as medidas implementadas em campo.

Pesquisa a serviço da conservação

Uma das principais mudanças consiste em atribuir à pesquisa científica um papel mais direto na mitigação e controle das ameaças. A intenção é que os estudos desenvolvidos permitam orientar as decisões de conservação com base na melhor evidência disponível.

O Dr. Andrés Valenzuela Sánchez, presidente do Comitê de Governança da Estratégia Binacional, presidente da ONG Rã de Darwin e pesquisador permanente da Zoological Society of London, destacou que essa atualização constitui um novo passo no esforço internacional para evitar o desaparecimento das espécies.

A estratégia também contempla uma maior articulação com instrumentos oficiais de conservação. Um dos principais avanços nessa matéria foi a contribuição da iniciativa para a aprovação do Plano Recoge das Rãs de Darwin, instrumento do Ministério do Meio Ambiente do Chile.

O plano surgiu a partir de um trabalho colaborativo impulsionado pela ONG Rã de Darwin e fornece um marco estatal para fortalecer e projetar as ações destinadas a proteger essas espécies. A nova Estratégia Binacional está alinhada com esse instrumento, buscando melhorar a coordenação entre órgãos públicos, cientistas, organizações ambientais e outros atores.

Uma colaboração que cruza fronteiras

A proteção das Rãs de Darwin também tem despertado interesse internacional devido às suas características únicas e à sua própria história. Ambas as espécies foram coletadas por Charles Darwin durante sua viagem pelo Chile a bordo do H.M.S. Beagle, fato que contribuiu para que adquirissem reconhecimento científico além da América do Sul.

Durante mais de uma década, instituições como a Zoological Society of London, do Reino Unido, e o Zoo Leipzig, da Alemanha, têm se somado aos esforços desenvolvidos por organizações e instituições do Chile e da Argentina.

Dessa forma, a Estratégia Binacional se tornou um exemplo de colaboração internacional para abordar a conservação de espécies ameaçadas, combinando conhecimento científico, gestão pública, trabalho de campo e participação de organizações da sociedade civil.

A segunda edição da estratégia será apresentada oficialmente durante um webinar aberto ao público em 26 de agosto, entre 11h00 e 13h00. A partir dessa data, a publicação estará disponível gratuitamente em espanhol e inglês, com informações sobre as ações e objetivos definidos para o período 2026-2040.

A iniciativa busca que a conservação das Rãs de Darwin não dependa apenas de esforços isolados, mas de um planejamento conjunto e de longo prazo capaz de responder às ameaças que colocam em risco a sobrevivência desses singulares anfíbios das florestas nativas do Chile e da Argentina.

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