A Colômbia e outros mercados latino-americanos estão adquirindo crescente relevância para a diversificação das exportações florestais chilenas, particularmente em segmentos como painéis de madeira, biomassa, madeira elaborada, embalagens e soluções tecnológicas para a indústria.

Essa oportunidade ficou evidente no Encontro de Negócios Chile–Latam Bogotá 2026, organizado pela ProChile, instância que reuniu 29 empresas chilenas com mais de 60 compradores de nove mercados latino-americanos e que contempla mais de 300 reuniões de negócios.

A atividade busca fortalecer os vínculos comerciais do Chile com Colômbia, Brasil, Equador, Paraguai, Costa Rica, Guatemala, Panamá, República Dominicana e El Salvador, mercados que aparecem como alternativas para ampliar a presença internacional de produtos e serviços nacionais.

Painéis de madeira crescem 35,3% na Colômbia

No âmbito florestal, os números mostram um sinal particularmente positivo. Entre janeiro e julho de 2026, as exportações chilenas de painéis de madeira para a Colômbia alcançaram US$ 22 milhões, registrando um crescimento de 35,3% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado confirma o potencial que o mercado colombiano apresenta para a indústria da madeira e abre espaço para aprofundar a presença de empresas chilenas em um cenário onde a diversificação de destinos se torna cada vez mais estratégica.

A delegação vinculada ao setor florestal inclui a Corporação Chilena da Madeira (CORMA), a Associação Chilena de Biomassa (AchBIOM), a Associação Gremial de Pequenos e Médios Industriais da Madeira do Chile (Pymemad) e o Centro Nacional de Excelência para a Indústria da Madeira (Cenamad).

A participação desses atores visa não apenas promover produtos florestais, mas também gerar contatos e explorar oportunidades de cooperação, inovação e transferência tecnológica.

Biomassa e tecnologia ampliam a oferta

O interesse latino-americano não se limita à madeira e seus derivados. A biomassa, as soluções tecnológicas e a digitalização de processos florestais também aparecem como áreas com potencial de crescimento.

A incorporação de empresas vinculadas às Indústrias 4.0 permite ampliar a oferta para soluções de automação, monitoramento, gestão de informações, logística e otimização de processos produtivos, tecnologias que podem encontrar aplicações tanto na indústria florestal quanto nos setores madeireiro e agroindustrial.

Nesse contexto, o Chile busca se posicionar não apenas como fornecedor de matérias-primas e produtos elaborados, mas também como um parceiro capaz de entregar tecnologia, conhecimento e soluções para melhorar a produtividade e a sustentabilidade das cadeias produtivas.

Colômbia como plataforma regional

A relevância da Colômbia se explica também pelo dinamismo geral da relação comercial com o Chile. Entre janeiro e julho de 2026, as exportações chilenas não cobre-não lítio para esse mercado superaram US$ 735 milhões, com um crescimento de 11,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Embora os serviços, as maçãs e os produtos do mar concentrem boa parte dos envios, o comportamento dos painéis de madeira, com um crescimento de 35,3%, mostra que existem espaços concretos para a indústria florestal.

O desafio agora é transformar esse crescimento em relações comerciais de longo prazo e utilizar a Colômbia como uma plataforma para aprofundar a presença das empresas chilenas em outros mercados latino-americanos.

Para a indústria florestal, isso adquire especial importância em um cenário internacional marcado por mudanças comerciais, maiores exigências ambientais e a necessidade de diversificar destinos.

Uma agenda que busca novos mercados

A jornada de negócios foi precedida por visitas técnicas e reuniões com instituições e empresas colombianas, entre elas a Câmara de Comércio de Bogotá e a Associação Nacional de Empresários da Colômbia (ANDI). Também foi desenvolvida uma agenda de oportunidades de investimento com participação da InvestChile.

O diretor geral da ProChile, Ignacio Fernández, destacou a importância da América Latina dentro da estratégia de internacionalização das empresas chilenas e assinalou que o organismo busca acompanhá-las em seus processos de diversificação de mercados.

Com mais de 300 reuniões previstas, o encontro representa uma oportunidade para que empresas florestais, madeireiras, de biomassa e tecnologia conheçam diretamente as necessidades dos compradores latino-americanos e explorem novos negócios.

Para o setor florestal chileno, a mensagem é clara: a Colômbia e a América Latina podem se tornar mercados cada vez mais relevantes para diversificar as exportações e ampliar a oferta de madeira, produtos derivados, biomassa e soluções tecnológicas desenvolvidas no Chile.

O crescimento dos painéis de madeira na Colômbia demonstra que esse espaço já existe. O desafio é aprofundá-lo e transformá-lo em novas oportunidades para toda a cadeia de valor florestal.

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