Uma situação complicada é vivida pelo agro regional como consequência dos sistemas frontais que atingiram o país nas últimas semanas. Assim o reconheceu o presidente da Associação de Agricultores de Ñuble, Carlos González, que explicou que o alagamento de pomares pode gerar mortalidade de raízes de plantas e árvores frutíferas, enquanto, nas culturas tradicionais, tem impedido a fertilização a tempo e, em muitos casos, está adiando as semeaduras.
Da mesma forma, a autoridade relatou danos na infraestrutura das propriedades, como consequência dos fortes ventos e dos transbordamentos de rios e riachos, principalmente.
Números preliminares em nível regional estimavam no final da semana passada em 280 os pequenos produtores usuários da Indap com afetações pelos sistemas frontais, um número que teria sido superado em muito durante o fim de semana, afirmaram fontes do setor. O cadastro definitivo ainda está em elaboração pelas equipes técnicas.
Impacto produtivo
O maior impacto será o produtivo, onde se estima uma redução da superfície de cereais, como trigo, milho e cevada, entre outros.
Carlos González manifestou que, embora os primeiros sistemas frontais tenham causado danos menores na região, o acúmulo de água nas últimas semanas mudou o cenário.
“O setor agrícola está muito complicado com as últimas chuvas, muitos transbordamentos de rios e riachos, semeaduras inundadas, pomares com muita água, porque o solo já saturou e quando isso acontece há morte de raízes; quando a água baixar, vamos ver a mortalidade em plantas e em árvores”, explicou o dirigente.
Exclamou que “não me lembro de um ano como este, acho que vai ser tremendamente danoso para a agricultura de Ñuble”, para depois revisar a situação das principais culturas tradicionais.
“No caso do trigo, os que conseguiram semear, agora têm o grave problema de não poderem entrar nos campos para fertilizar com ureia, que está sendo pedida aos gritos, pelos trigos e colzas. E nos trigos intermediários, não sei se vão conseguir semear, porque a chuva vai continuar. Por isso, visualizamos que haverá uma queda na superfície de trigo”, previu González.
Também colocou em dúvida que em agosto se consiga semear toda a superfície de trigo duro e de chicória; e quanto à cevada, que é uma cultura de inverno, apontou que se semeou pouco menos de um terço da superfície projetada e lembrou que quanto mais tarde se semeia, os resultados diminuem.
Em relação ao milho, cuja semeadura começa em setembro, o líder dos agricultores alertou que as previsões de chuvas para a primavera poderiam estragar a temporada.
Finalmente, o dirigente agrícola alertou que as previsões meteorológicas não são auspiciosas, pois se as chuvas intensas se estenderem durante a primavera, haveria uma crise produtiva de grande magnitude nas frutíferas.
“As previsões dizem que vem água até dezembro, e especialistas antecipam que os sistemas frontais de setembro em diante vêm mais fortes do que os que já tivemos. Se essas previsões se cumprirem, vem uma catástrofe, porque lembremos que em setembro toda a fruta que está em floração seria prejudicada, como cerejeiras, aveleiras, macieiras, kiwis. Se tivermos chuvas torrenciais e depois geadas, acho que vamos caminhando para uma crise produtiva e econômica”, disparou González.
Ministro da Agricultura
Nesse contexto, nesta terça-feira, o delegado presidencial Diego Sepúlveda se reuniu com o ministro da Agricultura, Jaime Campos, para coordenar ações que permitam responder oportunamente às necessidades do setor, especialmente dos pequenos agricultores.
Na ocasião, o secretário de Estado anunciou que visitará Ñuble nesta quinta-feira, com o objetivo de avaliar em campo a situação e definir as medidas de apoio que a pasta impulsionará. “Na quinta-feira estarei em Ñuble e me farão propostas efetivas sobre o modo como o Ministério da Agricultura e seus serviços irão em ajuda aos pequenos agricultores da região”, declarou.
Fonte:La Tribuna
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