Duzentas e trinta novas câmeras trap serão incorporadas ao monitoramento de fauna silvestre nas áreas protegidas do país, após o Serviço de Biodiversidade e Áreas Protegidas e a Corporação Nacional Florestal (CONAF) acordarem um comodato que permitirá colocar esses equipamentos ao serviço da conservação.

As câmeras foram adquiridas pelo Serviço durante este ano e representam um investimento de mais de $45 milhões. Por meio do acordo, serão entregues temporariamente à CONAF e destinadas exclusivamente ao Programa Nacional de Fotomonitoramento de fauna silvestre e suas ameaças, enquanto a Corporação continuar administrando as áreas protegidas que posteriormente se integrarão ao Serviço e ao Sistema Nacional de Áreas Protegidas (SINAP).

A decisão busca que o novo equipamento comece a gerar informações desde agora e, ao mesmo tempo, assegurar a continuidade de um dos principais programas de acompanhamento de fauna que se desenvolve atualmente nas áreas protegidas do Estado.

Nessa linha, a diretora executiva da CONAF, Aída Baldini Urrutia, destacou que as câmeras trap “começaram a ser usadas desde o ano de 2011 de maneira isolada em algumas áreas protegidas com o apoio de ONGs e pesquisadores nacionais associados a projetos independentes. Mas já em 2016 iniciou-se o Fotomonitoramento com uma metodologia padronizada aplicável a todas as unidades do país, como um programa unificado e centrado nos grandes mamíferos como objetos de conservação e suas ameaças. É assim que já contamos com 1.000 câmeras, que vão sendo instaladas por períodos específicos em 2.000 pontos de amostragem estabelecidos em 35 áreas protegidas no país. Este trabalho é maravilhoso, porque nos permite conhecer nossa fauna em seu ambiente natural, sem intervir em seus comportamentos, e gerar evidências para tomar melhores decisões de conservação. Isso é fundamental para enfrentar as principais ameaças que hoje afetam nossa biodiversidade, como o impacto de cães de posse irresponsável e a presença de animais exóticos assilvestrados, por exemplo, o javali e o vison, cujas ações colocam em risco nossas espécies nativas”.

Tomás Saratscheff, diretor nacional do Serviço, valorizou esta colaboração: «Estas 230 câmeras trap são uma contribuição concreta para a conservação e o conhecimento da fauna que habita nossas áreas protegidas. Ao colocá-las à disposição da CONAF, damos continuidade ao Programa Nacional de Fotomonitoramento e avançamos de maneira coordenada neste processo institucional, reconhecendo ainda a experiência e as capacidades profissionais que a CONAF construiu durante anos nesta matéria”.

Uma rede de monitoramento desde as 16 regiões

O Programa Nacional de Fotomonitoramento, liderado pela CONAF, funciona mediante estações de câmeras trap instaladas sob um desenho de amostragem padronizado. Atualmente abrange 35 áreas protegidas distribuídas nas 16 regiões do país e contempla campanhas anuais desenvolvidas por guarda-parques e equipes técnicas regionais.

As câmeras permitem obter registros periódicos, comparáveis e georreferenciados sobre a presença, distribuição e frequência de detecção de vertebrados terrestres, com especial atenção a espécies que se encontram em categorias de conservação.

O sistema também permite detectar fauna exótica invasora e registrar atividades humanas não autorizadas no interior das áreas protegidas, o que gerará antecedentes que podem ser utilizados para orientar decisões de manejo, avaliar a efetividade das medidas de conservação e construir indicadores sobre o estado da biodiversidade.

Os registros obtidos são processados e centralizados em uma plataforma institucional de fotomonitoramento, permitindo manter a rastreabilidade de uma série de dados que se desenvolve de maneira contínua desde 2017.

Tecnologia para conhecer e proteger a fauna

As 230 unidades correspondem a câmeras trap novas, e que somarão às 1.000 que já possui a CONAF, contam com uma tecnologia que permite registrar fauna de maneira remota e com uma intervenção mínima sobre os animais, incluindo espécies de hábitos noturnos ou difíceis de observar diretamente.

O acordo se insere ainda no trabalho conjunto que desenvolvem ambas as instituições para preparar a integração das áreas protegidas ao Serviço.

Neste período, manter funcionando os sistemas de monitoramento resulta especialmente relevante, já que permite conservar séries históricas de informação, evitar interrupções na coleta de dados e assegurar que o conhecimento acumulado pela CONAF, seus guarda-parques e equipes técnicas continue disponível para a futura gestão do SINAP.

Assim, o novo equipamento ampliará a capacidade para observar a fauna silvestre, mas também permitirá que o processo de transição institucional mantenha o conhecimento das espécies que habitam as áreas protegidas, como utilizam esses territórios e quais ameaças estão enfrentando, uma linha de trabalho fundamental para a conservação.

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