Tomás Tuki Tepano (64) aprendeu a esculpir madeira aos 9 anos por uma razão muito simples: todos em sua família o faziam como parte de seu modo de vida em Rapa Nui, junto com a agricultura, a pesca e a construção. "Para nós nunca foi um ofício nem uma arte, como se conhece hoje, mas uma forma de sobreviver. Naquela época, uma criança não era uma criança, era um homem a mais, mão de obra, e tinha que trabalhar mesmo. Era isso que os velhos, os avós e os pais nos ensinavam".

Sobre aquela época, ele diz que o que hoje conhecemos como artesanato não passava de uma mercadoria de troca ou escambo para satisfazer outras necessidades, como a comida, o que foi mudando com o tempo, com o desenvolvimento da ilha, a chegada do turismo e o reconhecimento de sua cultura e de suas manifestações artísticas. "Agora há maior valorização pelo que a gente faz", afirma.

Tuki Tepano é hoje um destacado escultor em madeira e em pedra, que ultrapassou fronteiras. Vencedor de dois Selos de Excelência em Artesanato – em 2011 e 2012, por suas obras Kava Kava e Moai Mana'u, respectivamente –, seu trabalho já foi exposto no Chile e no exterior (Austrália, Ilhas Marquesas, Alemanha), e colecionadores de arte de diferentes partes do mundo encomendam peças que podem exigir vários meses de concentração, paciência e tempo em sua oficina.

Domínio de um ofício

"A competição me fez crescer desde jovem", afirma sobre o domínio de seu ofício o artesão, que trabalha com inigualável destreza e detalhismo o makoi e outras madeiras encontradas em Rapa Nui, que ele transforma em moais de ventres fundos, costelas salientes, rostos pontiagudos e olhos enormes, entre outras obras que sempre refletem a espiritualidade e a mitologia da ilha.

Usuário do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário (INDAP) como artesão e agricultor – cultiva taro, batata-doce e outras hortaliças, além de morangos –, Tuki Tepano tem sido acompanhado pelo Programa de Desenvolvimento Territorial Indígena (PDTI) com projetos e investimentos, como a construção da Primeira Escola de Artesanato de Excelência Rapanui, espaço destinado ao ensino de técnicas tradicionais a crianças e jovens da ilha. Também foi dirigente do Comitê Assessor de Área (CADA) do serviço agrícola entre 2021 e 2024.

Suas conquistas, somadas à qualidade de sua arte, sua contribuição para a preservação e transmissão de técnicas ancestrais para revitalizar a cultura local, sua proposta criativa e seus mais de 50 anos de trabalho, levaram o Ministério das Culturas, das Artes e do Patrimônio a lhe conceder o Prêmio Mestre Artesão na categoria Tradicional 2025, em uma cerimônia realizada no Palácio Pereira, em Santiago.

Na cerimônia, que contou com a presença do ministro das Culturas, Francisco Undurraga; do subsecretário do Patrimônio Cultural, Emilio de la Cerda; e do encarregado nacional de Artesanato do INDAP, Saúl Pérez, também foram entregues os prêmios das categorias Aprendiz, à ourives Dana Canales, de Punta Arenas, e Contemporânea, ao ceramista Ernesto Durán, de Peñalolén.

Reconhecimento histórico

Tuki Tepano disse que "este é um reconhecimento histórico do Chile que me enche de orgulho e que dedico a todo o povo rapanui. No meu trabalho há um componente espiritual que vem de nossos antepassados e que eu tento manter".

Outro de seus orgulhos recentes – disse – é o Selo de Origem Tapa'o Tupuna, que instituiu em 2024 o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inapi), e do qual foi impulsionador, para certificar as obras que são elaboradas em Rapa Nui e cumprem com o padrão que as próprias comunidades insulares determinaram de acordo com suas tradições.


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