Quatro imóveis e 15 máquinas usadas em diferentes atividades foram destruídos em quatro ataques incendiários registrados no fim de semana em La Araucanía.

Diferentemente de episódios anteriores, desta vez foram três dias de ataques contra três sindicatos diferentes: na sexta-feira, os agricultores; no sábado, os construtores; e no domingo, os madeireiros.

Todos foram reivindicados pela organização radicalizada Weichan Auka Mapu (WAM), por meio de faixas e panfletos nos quais exigem a liberdade de comuneros mapuches detidos em diferentes penitenciárias do país por fatos similares. Além disso, mencionam Alex Lemun, Camilo Catrillanca e Yordan Llempi, abatidos por funcionários do Carabineros (os dois primeiros) e da Marinha em La Araucanía e Biobío, respectivamente.

Ontem, o ministro da Segurança Pública, Luis Cordero, afirmou em Temuco que, apesar de tal reivindicação, os ataques contra empresas agrícolas (em Vilcún) e uma madeireira, em Cunco, estão associados "à mesma organização", diferente da que perpetrou a do sábado em Carahue.

Cordero acrescentou que a partir de amanhã (hoje) "aumenta-se o efetivo militar, entre outras coisas, do processo eleitoral" para aumentar as intervenções e pontos de controle na área.

Os atentados ocorreram na véspera do sétimo aniversário da morte de Catrillanca, que recebeu um disparo durante uma operação policial no interior da comunidade Temucuicui, a oeste de Ercilla, em 14 de novembro de 2018.

"Reduzidas a percorrer e controlar estradas"

Os sindicatos afetados reconhecem preocupação. Segundo o presidente da Associação de Agricultores de Malleco, Sebastián Naveillán, é uma data "na qual habitualmente temos tido atentados na província de Malleco". Por isso, acrescentou, "exigimos do Estado reforçar os planos de segurança e pontos fixos em cada campo. Precisamos controlar a segurança do mundo rural para poder produzir e gerar alimentos".

Lorenzo Dubois, presidente da Câmara Chilena da Construção em La Araucanía, fez "um chamado urgente às autoridades para adotar todas as medidas necessárias para investigar, deter e sancionar os responsáveis, desarticulando os grupos violentos que ameaçam a convivência, o trabalho e a paz social em nosso país".

Em um comunicado, a Associação de Contratistas Florestais afirmou que "a violência terrorista segue plenamente instalada em La Araucanía, apesar dos números, declarações e justificativas do Ministério da Segurança e do Governo". Em sua opinião, "as polícias e as Forças Armadas implantadas no território permanecem limitadas em sua atuação, reduzidas a percorrer e controlar estradas sem a capacidade nem as ferramentas legais para prevenir os ataques e intervir de maneira ativa".

Nesse sentido, o sindicato pediu "avançar na Lei de Regras do Uso da Força, na Lei de Inteligência e na Lei de Infraestrutura Crítica, projetos que dormem no Congresso".

No fim de semana, além disso, após uma manifestação realizada em Temuco, desconhecidos deixaram panfletos aludindo ao desaparecimento, há um ano, da mapuche Julia Chuñil.

Fonte: El Mercurio

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