Um estudo da Ipsos, denominado "Claves Ipsos", trouxe à luz a opinião pública em relação aos devastadores incêndios que afetaram as regiões do Biobío e Ñuble em janeiro.
Segundo a pesquisa, realizada a nível nacional com 1.000 pessoas, um esmagador 72% acredita que os sinistros foram provocados intencionalmente. Dentro deste percentual, 39% apontam empresas com interesses na zona como as responsáveis, enquanto 33% suspeitam de indivíduos independentes.
O relatório também destaca que a percepção da intervenção humana nesses eventos supera outros fatores como a mudança climática, que apenas 25% dos entrevistados consideram relevante na severidade dos incêndios. No entanto, um terço dos participantes da pesquisa acredita que a falta de preparo do país para enfrentar tais catástrofes é mais significativa do que o impacto da mudança climática.
Miguel Pinto, subgerente de Estudos Públicos da Ipsos, explicou que, embora a mudança climática contribua para a criação de condições propícias a incêndios de grande magnitude, neste caso particular, a percepção dos cidadãos aponta para a ação humana como o principal fator.
Avaliação da resposta institucional
A resposta das instituições diante da emergência não foi bem recebida pela população. Um 64% dos entrevistados avalia negativamente a atuação do Governo, e quase a metade tem uma opinião desfavorável do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred). As prefeituras locais também não escapam das críticas, com 45% dos entrevistados considerando insuficiente sua resposta.
Por outro lado, os Bombeiros recebem o maior reconhecimento, com 90% de apoio, seguidos pelos Carabineiros com 56%. Quanto à ajuda dos influenciadores e cantores urbanos, estes últimos são mencionados por sua participação na assistência aos afetados, com 67% dos entrevistados considerando que os influenciadores são eficazes em comunicar como enfrentar a catástrofe.
Solidariedade e preparação
O estudo também reflete um alto nível de solidariedade entre os chilenos, com sete a cada dez pessoas afirmando ter ajudado os afetados, principalmente por meio de doações. A informação disponível durante a emergência foi bem avaliada em termos de clareza sobre como e o que doar, e onde encontrar centros de coleta. No entanto, a informação sobre o acesso às zonas afetadas foi o aspecto pior avaliado.
Em resumo, a pesquisa da Ipsos evidencia uma forte crença na intencionalidade por trás dos incêndios, uma crítica generalizada à resposta institucional e uma notável solidariedade cidadã em tempos de crise.
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