Composta por uma série de 48 imagens registradas no Parque Nacional Villarrica, nos setores de Puesco e Quetrupillán; além do Parque Nacional Conguillío e da Reserva Nacional Malalcahuello, a exposição intitulada “Fototrampeamento em bosques andinos de araucárias”, dirigida pelo acadêmico do Departamento de Ciência Animal da Faculdade de Ciências Veterinárias da UdeC, Dr. Oscar Skewes Ramm e que contou com a participação de estudantes de graduação em Medicina Veterinária dos Campi Chillán e Concepción, foi inaugurada na Galeria Trânsitos Visuais da Casa de Estudos chillaneja perante todos os segmentos.

Segundo relatou o acadêmico, foi em 2016 que seu amigo Edmundo Schuster Stange lhe mostrou uma trilha de fauna que parecia adequada para instalar uma câmera armadilha. A partir dessa descoberta, decidiram iniciar de maneira independente um estudo focado nos mamíferos médios ou mesomamíferos que habitam esses bosques. Com o passar dos anos e graças a diversas doações, o projeto conseguiu ampliar tanto a quantidade de câmeras quanto os locais de monitoramento.

“Esta exposição tem um grande valor, pois permite que os estudantes possam ver imagens de fauna em seu entorno natural. Isso gera um círculo virtuoso de conservação e interesse pelo meio ambiente. Mostrar este material ao corpo discente é valioso por essa mesma razão: aproveitá-lo e evitar que fique guardado em um computador. Estou muito contente de termos conseguido concretizar esta exposição nesta galeria”, descreveu o Dr. Oscar Skewes.

O objetivo é finalizar o trabalho de campo em maio de 2026, o que permitirá completar o registro de três ciclos de queda de pinhão nesses bosques. O Dr. Skewes também destacou a participação de estudantes de graduação no projeto, os quais desenvolveram teses a partir desses estudos. Até agora, os dados coletados deram origem a duas publicações científicas.

“Todas essas viagens foram memoráveis, algumas com caminhos muito longos, nas quais você termina cansada ou às vezes nos perdemos porque são lugares dentro dos bosques, afastados das trilhas, com subidas íngremes. Essas são as aventuras que a gente mais recorda. Somos um grupo de alunos que vamos recorrentemente e que conhecemos novas pessoas nas viagens. Eu sempre gostei da natureza, mas não imaginei que, estudando, poderia me envolver tanto neste mundo da conservação, mas aqui entrei no Centro de Reabilitação e Educação de Fauna Silvestre (CREFS) Andes UdeC e tive contato com outro tipo de animais”, relatou Sofía Anabalón Flores, estudante do quinto ano de Medicina Veterinária da UdeC e assistente do Dr. Skewes, que adiantou que estão planejando uma nova saída para registrar mais imagens.

Por sua vez, Ángeles Pávez Sepúlveda, formada em Medicina Veterinária pela UdeC e assistente do professor Skewes, que também trabalha no Centro de Reabilitação e Educação de Fauna Silvestre (CREFS) Andes UdeC, espera continuar por esse caminho.

“A primeira coisa que resgato são as paisagens, a oportunidade de conhecer lugares que não teria podido sem que o professor me tivesse convidado a participar do fototrampeamento. Os lugares são incríveis, estivemos até na paisagem que aparece na nota de dois mil pesos, nem sempre se pode chegar a esses recantos, porque além disso contamos com permissões especiais para poder caminhar fora das trilhas estabelecidas, assim podemos olhar além do que as pessoas podem ver em um passeio habitual. Aí eu fiquei muito admirada com a memória do professor, além de sua capacidade física, ele caminha mais que qualquer um, ele gosta de testar sua capacidade de lembrar onde estão as câmeras, enquanto nós vamos nos guiando pelo GPS, e várias vezes ele as encontra primeiro, apenas lembrando onde havia um vale, um coigüe, uma árvore, é muito impressionante”, acrescentou a assistente.

“É uma exposição que combina arte, ciência, conservação e reflexão em torno de nossos ecossistemas e de como protegê-los. Nasce a partir de uma tecnologia bastante particular: as câmeras armadilha. De alguma forma, os registros que se obtêm têm uma qualidade estética fascinante, já que não há uma pessoa tirando a imagem. Isso os converte em registros honestos, o que os torna muito especiais, testemunhais e naturais. O contexto no qual se gera este trabalho é muito interessante e representa uma valiosa oportunidade para que nossa comunidade UdeC possa conhecê-lo através desta galeria”, sustentou a Diretora do CECAL UdeC, Amara Ávila Seguel.

Enquanto isso, o Diretor Geral da Universidade de Concepción Campus Chillán, Dr. Pedro Rojas García, destacou que “esta galeria tem um grande alcance entre todos os nossos segmentos, já que é um espaço muito transitado. É um prazer conhecer o trabalho do Dr. Skewes e as contribuições que representam suas pesquisas em vida silvestre. O impacto desses estudos em nosso ecossistema ressalta a importância desta temática para nossa instituição, a qual tem sido abordada há tempos. Esta exposição cobra especial relevância ao valorizar a flora e fauna protegida porque, além disso, está vinculada a iniciativas institucionais da UdeC, e a temos presente aqui, no Campus Chillán”, concluiu a autoridade.

A mostra estará disponível até terça-feira, 19 de maio, na Galeria Trânsitos Visuais, Edifício Central da Universidade de Concepción Campus Chillán.

Fonte:La Discusión

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