O menor número de atentados para o primeiro trimestre do ano, desde que vigora o estado de exceção na macrorregião sul, foi registrado neste período de 2026, com cinco casos. É o que revela o "Informe de Violência" elaborado pela Multigremial de La Araucanía.

O número contrasta com os 72 episódios do primeiro trimestre de 2021, antes da medida extraordinária; ou com os 60 de 2022, quando o instrumento, que vigorava desde 12 de outubro de 2021, foi suspenso em 26 de março, por ocasião da mudança de governo. Em seguida, foi restabelecido em 17 de maio de 2022, até hoje.

O estudo coincide com o debate sobre um eventual desescalonamento da presença militar proposto pelo ministro da Defesa, Fernando Barros. Diante disso, vítimas e associações pedem ênfase na desarticulação dos grupos violentistas.

"Esta queda não implica uma redução proporcional na gravidade dos fatos. Pelo contrário, há maior intensidade e capacidade destrutiva nas ações", diz o documento.

Questionado se esses números são suficientes para uma retirada das Forças Armadas, o ex-coordenador de segurança da macrorregião sul e responsável pelo Observatório do Crime Organizado e Terrorismo (Ocrit) da U. Andrés Bello, Pablo Urquízar, afirma que o fim do Estado "não pode se limitar à aplicação de uma medida de exceção, mas deve se concentrar em salvaguardar os direitos e liberdades fundamentais das famílias mapuche e não mapuche da macrorregião sul".

Ele ressalta que "embora os números evidenciem uma tendência positiva e sustentada na diminuição dos atos de violência, não são suficientes por si só para justificar um desescalonamento". E enfatiza que "em abril de 2024, na província de Arauco, também eram registrados números baixos, e mesmo assim ocorreu o homicídio de três policiais, o atentado mais grave da história da macrorregião sul".

Urquizar observa que "a redução quantitativa não implica necessariamente a desarticulação das organizações, nem a eliminação de sua capacidade operacional", e expõe que "parte desta diminuição pode ser explicada pela vigência do estado de emergência, de modo que sua retirada sem condições poderia gerar um efeito rebote".

Ele argumenta que "esses números devem ser complementados com indicadores qualitativos: condenações efetivas, enfraquecimento estrutural dos grupos e capacidade de controle territorial em um cenário de normalidade".

Condições objetivas

Expõe que "a revisão do estado de emergência não deveria se basear em um critério temporal, mas no cumprimento simultâneo de condições objetivas e sustentadas ao longo do tempo", e que "um eventual desescalonamento deve responder a uma estratégia integral: deve ser gradual, focalizado e reversível, evitando decisões abruptas que possam gerar vácuos de controle".

Propõe que, "em uma primeira etapa, poderia ser considerada a redução da presença militar em zonas de menor risco, mantendo-a em pontos críticos. Posteriormente, poderia se avançar para uma focalização territorial do estado de exceção. Em uma fase seguinte, o protagonismo deveria estar nas polícias e no Sistema de Inteligência do Estado, fortalecendo suas capacidades em um contexto de normalidade", e que "a suspensão total deve ser acompanhada de monitoramento e resposta rápida que permitam reinstalar medidas excepcionais em caso de retrocessos, garantindo a sustentabilidade dos avanços".

Fonte: El Mercurio

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