Em meio aos desafios ambientais enfrentados pelo setor florestal, uma nova proposta busca mudar a forma como os solos são manejados após as colheitas. Trata-se da EcoTorque Florestal, uma empresa emergente que aposta na mecanização com enfoque sustentável, integrando tecnologia para prevenir impactos ambientais e melhorar o terreno.
Seu gerente geral, Franz García, resume o propósito: “EcoTorque é a união entre potência operativa e consciência ambiental. Fazer com que a maquinaria não apenas produza, mas também proteja”. A iniciativa surge com uma ideia concreta, que é utilizar a força da maquinaria para manter o equilíbrio com o entorno, especialmente em regiões como Maule e Biobío, onde a atividade florestal é chave.
Atualmente, este trabalho está sendo desenvolvido em uma propriedade em Retiro, na Região do Maule, pertencente à Companhia Chilena de Fósforos, onde a empresa executa tarefas de manejo pós-colheita com enfoque sustentável.
Sistema in situ
O coração desta proposta está no mecanismo que empregam em campo. Diferentemente das práticas tradicionais — que geralmente extraem os tocos e resíduos — a EcoTorque introduz um sistema de trituração in situ que permite reincorporar a matéria orgânica diretamente ao solo.
Este processo é realizado por meio de um cabeçote triturador de troncos, um equipamento especializado equipado com lâminas que giram com alto torque e baixa velocidade. Este design permite triturar os tocos até aproximadamente 80 centímetros abaixo da superfície. O resultado é um material picado que permanece no mesmo local, integrando-se novamente ao solo.
Segundo explica García, este mecanismo evita a extração de biomassa que se formou ao longo de anos, devolvendo nutrientes essenciais ao terreno. “A ideia é não tirar do solo o que lhe pertence, mas reincorporá-lo como matéria orgânica para sua recuperação futura”, assinala.
Impacto sustentável
O uso deste sistema tem múltiplos benefícios. Em primeiro lugar, melhora a qualidade do terreno ao aumentar seu conteúdo orgânico, o que favorece a retenção de umidade e a atividade biológica. Além disso, reduz a necessidade de transporte de resíduos florestais, diminuindo custos operacionais e emissões associadas.
Outro aspecto chave é sua contribuição para a prevenção de incêndios florestais. Ao manejar a carga combustível e evitar acúmulos de resíduos, reduz-se o risco de propagação do fogo, integrando a prevenção como parte do padrão operacional.
Em paralelo, os resíduos de galhos e material menor são gerenciados como biomassa, sendo armazenados e posteriormente transportados para uso na geração de energia, fechando assim um ciclo produtivo mais eficiente.
A EcoTorque opera atualmente com três equipamentos e um modelo itinerante que lhe permite trabalhar em diferentes pontos do país, adaptando-se às necessidades de cada obra. Embora a empresa tenha apenas alguns meses de funcionamento, já se posiciona como uma alternativa inovadora no setor.
A aposta não está isenta de riscos. A incorporação desta tecnologia implicou um investimento inicial sem garantias de sucesso imediato. No entanto, García destaca que o desafio responde a uma convicção: transformar o setor florestal a partir da prática.
“O setor precisa de mudanças reais. Não basta declarar sustentabilidade, é preciso executá-la em campo”, afirma.
Com este enfoque, a EcoTorque Florestal busca instalar uma nova forma de trabalho, onde a eficiência operacional e o cuidado ambiental não sejam conceitos opostos, mas parte de um mesmo mecanismo.
Na Acoforag valorizamos este tipo de inovações, destacando que a incorporação de tecnologias orientadas à gestão sustentável do solo representa um avanço relevante para o setor. Práticas como a reincorporação de matéria orgânica não apenas contribuem para a produtividade de longo prazo, mas também fortalecem a adaptação da atividade florestal aos desafios ambientais atuais.
A reportagem naRevista Acoforag
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