Conhecidos os veredictos e condenações pelo homicídio de três carabineiros em Cañete, perpetrado há quase dois anos, em 27 de abril de 2024, e pela falsificação de instrumento público e obstrução à investigação no caso Huracán, por fatos ocorridos em 2017 com implantação de provas falsas contra comuneros mapuches, atualmente as outras causas em desenvolvimento ligadas à violência na macrorregião sul são três e exibem distintos níveis de avanço.

Trata-se dos casos por atentados contra a família Grollmus e suas propriedades, cometidos em 29 de outubro de 2022 na comuna de Contulmo, ao sul de Biobío; a detenção de cinco membros da Coordenadora Arauco Malleco (CAM), entre eles, Pelentaro Llaitul, filho do porta-voz dessa organização, efetuada em novembro de 2022 em Cholchol, em La Araucanía, por sua participação em múltiplos incêndios contra propriedades e maquinários, e o atentado contra as instalações e 51 transportes que realizavam trabalhos no projeto hidrelétrico Rucalhue, na comuna cordilheirana de Santa Bárbara, em Biobío, perpetrado na madrugada de 20 de abril de 2025.

Enquanto nas duas primeiras investigações já foram apresentadas acusações e os julgamentos orais estão sendo preparados, nas investigações pelo ataque contra capitais chineses na área de produção de energia, as diligências, de caráter reservado, não registram detenções nem formalizações.

Esse episódio afetou a empresa Rucalhue Energía SpA, filial do conglomerado China International Water & Electric Corp CWE. Na ação teria participado um grupo de 12 indivíduos encapuzados e com armas. Estes ameaçaram e amarraram guardas de segurança e queimaram 47 caminhões, um veículo contêiner de combustível, duas escavadeiras e uma motoniveladora.

O Ministério Público Regional de Biobío respondeu por escrito que “a investigação pelo atentado ocorrido nas instalações do projeto Central Rucalhue encontra-se atualmente vigente”.

Acrescentou que “as pesquisas e perícias continuam em curso e são efetuadas pela PDI” e que “foram efetuadas múltiplas diligências, foram tomadas diversas declarações, foram realizadas uma série de perícias e a investigação continua em desenvolvimento”.

Quanto à causa contra cinco integrantes da CAM, o Ministério Público Regional de La Araucanía explicou as razões para a demora em chegar ao julgamento oral, apesar de a acusação, por delitos cujas penas superam os 70 anos de prisão, ter sido apresentada há dois anos.

Detalharam que em cinco ocasiões foi adiada a audiência de preparação de julgamento oral; e em outras três, o julgamento em si.

O procurador regional dessa zona, Roberto Garrido, confirmou a disposição do Ministério Público para um rápido julgamento dos acusados. “Este julgamento está esperando há muito tempo. A acusação a fizemos em maio de 2024 contra cinco integrantes da CAM, entre eles Pelentaro Llaitul”, expôs. “Este julgamento oral foi suspenso em várias oportunidades e deveria começar em maio”, disse.

Acrescentou que “a delonga de audiências neste tipo de investigações não é algo infrequente, antes, deixa em evidência uma estratégia de litigação das defesas”.

Garrido adiantou que “seguimos avançando em outras investigações para realizar as solicitações correspondentes aos tribunais e assim efetuar as imputações com os antecedentes que conseguimos reunir”.

21 acusados por atentado em Cañete

Enquanto na quinta-feira o Tribunal Oral Penal de Cañete adiou até 23 de junho, por falta de juízes, o início do julgamento contra dois menores imputados por participar do ataque contra a família Grollmus, ontem concluiu no Juizado de Garantia dessa mesma jurisdição a preparação de julgamento oral contra 18 adultos e um terceiro menor imputado pelos mesmos fatos. Agora cabe que se enviem os antecedentes ao tribunal dessa comuna para que se programe uma data para o julgamento.

Christian Grollmus, sobrevivente do ataque armado e posterior incêndio, confirmou que a parte acusadora pedirá fundir ambos os processos judiciais. “Quando se definir a data para os adultos acusados, pediremos que se adie até 23 de junho, data fixada para o processo contra os menores. Não tem lógica fazer dois julgamentos por uma mesma causa. Isso implica uma revitimização e seguir nos expondo como família”, argumentou.

Por sua vez, o defensor regional de Biobío, Osvaldo Pizarro, anunciou a apresentação de um recurso de amparo, em virtude da Lei de Responsabilidade Penal Adolescente e dos prazos para julgamentos a menores de idade, no qual se pede “deixar sem efeito a resolução do TOP e se ordene a realização do julgamento oral em um prazo não superior a 10 dias”.

Fonte:El Mercurio

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