Por Ignacio Vera Izquierdo, gerente geral da Forestal Santa Blanca
O anúncio do ministro da Agricultura, Jaime Campos, sobre a preparação de uma nova Lei de Fomento Florestal para 2027 abre uma discussão que o Chile adiou por tempo demais. Após o término do DL 701, o país perdeu uma política clara de incentivo à forestação, e as consequências hoje são visíveis: queda sustentada da área plantada, fechamento de serrarias, enfraquecimento das economias rurais e uma perda progressiva de competitividade em relação aos nossos vizinhos.
A forestação não é apenas uma atividade produtiva. É uma ferramenta de desenvolvimento regional, geração de emprego e captura de carbono. Sem novas florestas, simplesmente não haverá matéria-prima suficiente para sustentar a indústria florestal nas próximas décadas. E isso significa menos emprego, menos investimento e menos oportunidades para centenas de comunas que dependem direta ou indiretamente dessa atividade.
A situação é particularmente complexa para as pequenas e médias empresas florestais. Nos últimos cinco anos, desapareceram 169 serrarias, afetando cadeias produtivas completas e atingindo com força territórios onde muitas vezes a atividade florestal é uma das poucas fontes de dinamismo econômico. Por isso, qualquer nova legislação deve ter um foco prioritário nos pequenos e médios proprietários, facilitando incentivos reais para voltar a florestar e recuperar a base produtiva do setor.
O Chile, além disso, enfrenta um cenário internacional cada vez mais desafiador. Enquanto nosso país reduziu seu ritmo de forestação, nações como Argentina, Uruguai e Brasil aumentaram sua superfície florestal plantada em torno de 10%, 15% e 20% durante a última década. Essa diferença não é pequena: implica maior disponibilidade futura de madeira, mais capacidade exportadora e melhores condições para atrair investimento.
A nova Lei de Fomento Florestal não pode se limitar a replicar instrumentos do passado. Deve incorporar critérios modernos de sustentabilidade, resiliência climática e desenvolvimento territorial. A prevenção de incêndios, a restauração de solos degradados, o manejo responsável de bacias hidrográficas e a integração com mercados de carbono devem ser parte central dessa política pública.
O Chile tem uma oportunidade estratégica para entender que o setor florestal não pertence ao passado, mas ao futuro. Em um mundo que exige materiais renováveis, construção sustentável e economias de baixo carbono, fortalecer a forestação pode se transformar em uma vantagem competitiva para o país. Mas isso requer decisão política, visão de longo prazo e a capacidade de colocar novamente o desenvolvimento produtivo regional no centro da discussão.
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