A queima de dois caminhões que prestavam serviço a trabalhos florestais no setor de Inspector Fernández, na comuna de Victoria (La Araucanía), tornou-se o oitavo episódio de violência de alta conotação perpetrado na macrozona sul desde que o Governo assumiu, em 11 de março.

Soma-se assim à queima de um gerador elétrico em Alto Biobío (12 de março); a três episódios ligados ao roubo de caminhonetes em Ercilla e à destruição por fogo de uma destas em Collipulli (16 de abril); ao atentado contra quatro caminhonetes de uma obra florestal em Collipulli (7 de maio); e aos disparos contra uma unidade policial que cumpria uma medida de proteção em uma fazenda do setor de San Ramón, em Ercilla (12 de maio) e contra a 6ª Delegacia dessa mesma comuna (13 de maio).

Organizações do transporte de carga terrestre repudiaram o novo ataque. A Confederação de Donos de Caminhões do Chile (CNDC) convocou o Governo “a cumprir sua palavra de acabar com a violência e o terrorismo” no sul, já que, advertiu, “não podemos continuar na mesma”.

A Confederação Nacional do Transporte de Carga (CNTC) manifestou que o novo atentado “gera preocupação no setor” e instou as autoridades a “oferecer maiores garantias de segurança”.

Da Corporação Chilena da Madeira (Corma), seu presidente, Rodrigo O'Ryan, mostrou a preocupação do setor florestal “de que o país parecesse ter se acostumado aos fatos de violência e aos ataques armados na macrozona sul”.

Embora tenha valorizado o trabalho do Ministério Público e das polícias “para desarticular os grupos violentos e perseguir seus crimes”, fez notar que “após esse tipo de procedimentos é esperável que existam represálias, pelo que o Estado deve reforçar os trabalhos de inteligência, prevenção e proteção”.

Sebastián Naveillán, ex-membro da Comissão para a Paz e o Entendimento e presidente da Associação de Agricultores de Malleco, lamentou que apesar do crescente número de atentados e da visita do Presidente José Antonio Kast a La Araucanía, “ainda não pudemos conhecer nenhum tipo de planejamento, para saber como se vai enfrentar esses grupos armados e terroristas, que continuam operativos”.

O presidente da Multigremial de La Araucanía, Patricio Santibáñez, alertou sobre um “recrudescimento da violência terrorista” e convocou a aplicar “medidas adicionais”.

Entrada em Temucucui

Concretizada a segunda entrada na comunidade de Temucuicui, durante a jornada de quarta-feira, o ex-promotor regional e atual delegado presidencial na zona, Francisco Ljubetic, sustentou que “através de diligências concretas, demonstramos que é possível entrar (...). Um fator relevante que se mencionava antes de 11 de março era a impossibilidade de cumprir qualquer tipo de diligência, porque as dificuldades e o risco associados eram enormes”.

Colocou que “as instituições, devidamente coordenadas, podem entrar em qualquer território e em qualquer residência”.

Questionado sobre quais antecedentes mudaram nessa zona, Ljubetic disse que “há razões relevantes; uma delas é a vontade política e policial de dar cumprimento às ordens judiciais, ao que se soma o respaldo do Executivo para levar adiante as diligências e investigações (...). Quando se tomam as decisões e estas são levadas adiante, se alcançam resultados”.

Acrescentou que “as investigações que resultaram em detenções, formalizações, prisões preventivas e condenações de um número significativo de pessoas vinculadas a fatos de violência têm diminuído a capacidade de ação. A isso também contribui a apreensão de múltiplo armamento (...). Tudo isso faz entender que estamos em uma melhor posição para fazer cumprir as ordens judiciais”.

Fonte:El Mercurio

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