O uso de drones “tem sido relevante” para a entrada das instituições do Estado na comunidade de Temucuicui, confirmam do Ministério Público, depois que às 02:00 horas de ontem se concretizou a terceira operação, em duas semanas, nessa organização territorial mapuche e se deteve seu werkén (porta-voz), Jorge Huenchullan Cayul, e sua companheira, Carolina Padilla Manquel, no interior de seu domicílio.

Neste procedimento, no qual participaram a PDI, Carabineros, o Exército e a FACh, não houve feridos e nem disparos, segundo as autoridades. Contingente terrestre os retirou da zona em um helicóptero militar.

“Continuamos avançando (...) para restabelecer a ordem e o Estado de Direito (...). Após cinco anos foragido, chegou o momento de que compareça perante a justiça”, destacou o Presidente José Antonio Kast.

A comunidade de Temucuicui se referiu à detenção de Huenchullan — formalizado por tráfico de drogas, porte ilegal de armas e de munições, e usurpação — em uma declaração divulgada através da rádio Kurruf, na qual se publicou que houve uma decisão de se entregar sem opor resistência.

“Foi ele quem optou por não continuar evitando sua detenção, precisamente, ao observar o desproporcional desdobramento policial e militar”, afirma a nota. Acrescenta que “entendendo o enorme risco que uma situação de tensão poderia gerar para as famílias da comunidade (...) o werkén tomou a decisão de não expor seu entorno a um desfecho que pudesse colocar em perigo vidas humanas”.

Após sua captura, Huenchullan e Padilla foram levados até o quartel da PDI em Angol. O controle da detenção do comunero — que arrisca 18 anos de prisão, segundo a promotoria — foi realizado de maneira remota pelo Tribunal de Garantia de Collipulli. Ordenou-se que iniciasse o cumprimento de sua prisão preventiva na cadeia de Angol.

Padilla também foi formalizada à distância, por tráfico de drogas e porte ilegal de armas e munições. Igualmente, ditou-se a mais alta das cautelares e fixaram-se dois meses para investigar seu caso.

Foi necessário “ajustar a estratégia”

O promotor regional de La Araucanía, Roberto Garrido, reconheceu que “este é um procedimento de detenção que já se havia tentado em outras oportunidades, e havia fracassado”.

A partir dessas experiências fracassadas, disse que se optou por “ajustar a estratégia e utilizar, além disso, elementos tecnológicos que nos permitem ter maior certeza em relação à presença de uma pessoa em um lugar determinado”.

Desde que se declarou na clandestinidade, em 2021, Huenchullan se manteve como uma das pessoas mais procuradas na Macrozona sul por sua suposta participação em delitos e por ser considerado o líder da Resistência Mapuche Malleco (RMM), grupo delitivo que opera na província de Malleco e que se atribui grande parte dos atentados incendiários, contra maquinários e caminhões, nos quais se exige a liberdade de presos ligados a Temucuicui.

Sobre o vínculo de Temucuicui com a RMM, o ex-promotor regional de La Araucanía e atual delegado presidencial, Francisco Ljubetic, afirmou que “os antecedentes indicam que essa orgânica opera, fundamentalmente, nessa parte” e que “o detido e outras pessoas declararam direta ou indiretamente seu nexo com as mesmas”.

Desde que se declarou na clandestinidade, em 2021, Huenchullan se manteve como uma das pessoas mais procuradas na Macrozona sul por sua suposta participação em delitos e por ser considerado o líder da Resistência Mapuche Malleco (RMM), grupo delitivo que opera na província de Malleco e que se atribui grande parte dos atentados incendiários, contra maquinários e caminhões, nos quais se exige a liberdade de presos ligados a Temucuicui.

Sobre o vínculo de Temucuicui com a RMM, o ex-promotor regional de La Araucanía e atual delegado presidencial, Francisco Ljubetic, afirmou que “os antecedentes indicam que essa orgânica opera, fundamentalmente, nessa parte” e que “o detido e outras pessoas declararam direta ou indiretamente seu nexo com as mesmas”. A respeito de se Huenchullan era o objetivo das três operações das duas últimas semanas em Temucuicui, colocou que, “em seu caso particular, este alvo estava identificado e localizado”.

Francisco Vidal, ex-ministro em diversos períodos da Concertación e presidente do conselho de administração da TVN na administração de Gabriel Boric, comentou na rádio Infinita que, “a mim teria encantado que meu governo tivesse feito o que fez este governo. Em vez de um helicóptero, três helicópteros (...). Se pode, se há decisão e se superam os traumas”.

O ex-coordenador de segurança da macrozona sul Pablo Urquizar destacou que “se consegue deter Huenchullan, cabeça da RMM, uma das orgânicas mais perigosas da macrozona sul; se concretiza depois de mais de quatro anos em que conseguiu burlar o Estado de Direito; sua captura se materializa em uma operação impecável e singular, único e exclusivo na forma de proceder, com a participação das polícias, das Forças Armadas e do Ministério Público, e se consegue que a cidadania comece a perceber que não existe, na macrozona sul, um lugar que o Estado não possa controlar”.

O hoje coordenador do Observatório do Crime Organizado e Terrorismo (Ocrit) da U. Andrés Bello acrescentou que “era o foragido mais procurado da macrozona sul”, e que sua detenção “deixa sem liderança o grupo RMM, já que sob ele existem integrantes que compõem uma organização horizontal, onde era a única cabeça”.

Fonte:El Mercurio

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