Desde edifícios de até 22 metros de altura na República Checa até biocombustíveis que representam um terço da energia primária da Estônia, um novo relatório revela que a indústria florestal está se transformando em um setor de alta tecnologia, inovação e resiliência climática.
A madeira está deixando de ser um simples recurso extrativo para se tornar um pilar da economia sustentável na Europa.
Segundo o relatório Forest Tracks: Country Level Market Insights 2025/2026, a indústria florestal está passando por uma transformação radical que a coloca no centro da transição verde regional.
Enquanto persistem as pressões econômicas tradicionais (interrupções comerciais, estagnação do PIB e inflação), o setor está encontrando nova vida por meio da construção de baixo carbono, energias renováveis e produtos inovadores de base biológica, afirma o documento, redigido pela Comissão Econômica da ONU para a Europa (UNECE).
Edifícios de madeira, energia e sumidouros de carbono
O relatório, baseado em dados brutos enviados pelos próprios 16 Estados* que participaram do estudo, revela exemplos concretos dessa mudança de paradigma.
Na República Checa, recentes mudanças normativas agora permitem edifícios de madeira de até 22,5 metros de altura, o que representa uma mudança radical no desenvolvimento urbano. Na Estônia, os biocombustíveis sólidos representam mais de um terço de sua produção primária de energia, demonstrando que a madeira está se tornando indispensável para a segurança energética.
"O que estamos vendo é uma mudança de foco: da mera extração para a inovação de alta tecnologia e a resiliência climática", aponta o relatório.
Em países como a Irlanda, essa transição se reflete em uma atenção crescente às florestas como sumidouros de carbono, com mudanças mensuráveis nas reservas de carbono florestal que apoiam os objetivos climáticos. A Suécia, por sua vez, continua integrando a silvicultura industrial em grande escala em cadeias de valor altamente eficientes.
Adaptação às ameaças e novas regulamentações
A integração do Regulamento da UE contra o Desmatamento e da Lei de Restauração da Natureza está impulsionando uma nova era de transparência na cadeia de suprimentos e a expansão dos créditos de carbono florestal. Mesmo quando ameaças biológicas, como a praga do besouro da casca na Europa Central ou os incêndios florestais no Sul, afetam os volumes de colheita, o setor está respondendo com maior eficiência dos recursos e um avanço em direção a bioeconomias circulares.
Os dados sugerem que os próximos dois anos serão definidos pela eficácia com que esses 16 países aproveitarem seus recursos madeireiros (tanto dentro quanto fora das florestas) para atender tanto às demandas econômicas quanto aos compromissos ambientais internacionais.
Armênia, Áustria, Chipre, República Checa, Estônia, Finlândia, Alemanha, Irlanda, República Quirguiz, Países Baixos, Polônia, Portugal, Eslovênia, Suécia, Ucrânia e Reino Unido.
Fonte:Swisslatin
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