Puerto Varas será palco de uma das maiores iniciativas de restauração ecológica participativa do sul do Chile. Nos próximos dias 26 e 27 de junho, ocorrerá o Festival Pá na Mão 2026, encontro que busca mobilizar a comunidade em torno da recuperação de espaços naturais, da educação ambiental e da ação climática por meio de atividades abertas à cidadania.
A iniciativa é impulsionada pela UÑU Lab e conta com o apoio da Prefeitura de Puerto Varas, da Diretoria de Meio Ambiente (DIMAO), de organizações territoriais e de diversas empresas colaboradoras. Após várias edições realizadas em Ancud, o festival chega pela primeira vez a Puerto Varas, ampliando seu alcance e consolidando uma rede de trabalho colaborativo para a conservação da floresta nativa.
Um dos principais objetivos desta edição será a restauração de áreas urbanas e periurbanas que sofreram processos de degradação ambiental. Para isso, está previsto o plantio de 2.500 árvores nativas em diferentes setores do município, juntamente com ações de voluntariado, capacitação e sensibilização cidadã.
Segundo explicou Javier García, fundador do Festival Pá na Mão, a restauração ecológica em ambientes urbanos apresenta desafios diferentes dos projetos rurais. "As cidades concentram ecossistemas altamente intervencionados e fragmentados. Restaurá-los significa recuperar a biodiversidade, melhorar os serviços ecossistêmicos e fortalecer a resiliência ambiental em espaços que fazem parte da vida cotidiana das pessoas", destacou.
A perda e a degradação da floresta nativa impactam diretamente funções essenciais para o equilíbrio ambiental, como a captura de carbono, a regulação dos recursos hídricos, a proteção dos solos e a conservação de espécies nativas. Diante desse cenário, Puerto Varas busca avançar na recuperação de áreas com valor ecológico e social.
O prefeito Tomás Gárate destacou a importância de sediar uma iniciativa dessas características. "Puerto Varas tem uma forte vocação para o cuidado de seu ambiente natural. Este festival representa uma oportunidade para unir moradores, organizações, instituições e empresas em torno de um propósito comum: proteger nossos ecossistemas e gerar ações concretas diante das mudanças climáticas", afirmou.
Duas jornadas focadas em educação e ação territorial
O programa começará em 26 de junho com uma jornada dedicada à educação ambiental. Durante o dia, serão realizadas palestras, debates e exibições audiovisuais sobre restauração ecológica, biodiversidade, regeneração de territórios e desafios climáticos.
As atividades serão realizadas no Centro de Arte Molino Machmar (CAMM) e terão acesso gratuito mediante inscrição prévia.
A segunda jornada, programada para 27 de junho, será focada no trabalho em campo. Moradores, estudantes, famílias, organizações e representantes de empresas participarão de trabalhos de restauração ecológica e plantio de espécies nativas no Parque Cerro Philippi.
Além disso, de 17 a 25 de junho, serão realizadas jornadas prévias de voluntariado para avançar nos trabalhos de preparação dos locais de intervenção.
Recuperação de três espaços emblemáticos
As ações de restauração se concentrarão em três setores estratégicos de Puerto Varas: Cerro Philippi, Quebrada Honda e o Parque Reserva Bosque Mirador.
Nesses locais, serão plantadas espécies próprias da floresta temperada chuvosa do sul do Chile, entre elas coigues, ulmos, arrayanes, lumas, canelos, notros, tiacas e fuinques.
Um dos projetos mais relevantes será desenvolvido no Parque Reserva Bosque Mirador, onde existe um remanescente de floresta nativa adulta que faz limite com terrenos degradados cobertos por espécies invasoras. A intervenção prevê a remoção de vegetação exótica, a recuperação do solo e o plantio de espécies pioneiras que permitam ampliar gradualmente a floresta existente.
Em Quebrada Honda, por sua vez, será retomado um processo de restauração iniciado anos atrás e que ficou inconcluso. Lá, buscar-se-á enriquecer a vegetação nativa ao longo de um curso d'água por meio de novos plantios e do controle de espécies exóticas.
Um trabalho semelhante será executado em Cerro Philippi, um dos espaços naturais mais emblemáticos do município, onde se pretende fortalecer a cobertura vegetal nativa, reduzir processos de erosão e aumentar a diversidade biológica do parque.
A Diretoria de Meio Ambiente de Puerto Varas destacou que o festival busca envolver ativamente a cidadania na conservação da rede de parques urbanos do município, promovendo uma cultura de cuidado e valorização do patrimônio natural.
A edição de 2026 aspira a deixar um legado tangível por meio da recuperação de espaços degradados, do plantio de 2.500 árvores nativas, da participação de centenas de voluntários e da geração de indicadores que permitam medir o impacto das ações de restauração e adaptação às mudanças climáticas.
A iniciativa contará ainda com o apoio de empresas privadas que decidiram se unir ao desafio de contribuir para a recuperação dos ecossistemas locais e para o fortalecimento da consciência ambiental na comunidade.
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