O cenário para o agro chileno durante o ciclo 2026-2027 surge com importantes desafios estruturais e externos. Assim foi analisado no seminário “Como vem a temporada 2026-2027?”, um encontro organizado pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e pela seção Economia e Negócios do El Mercurio, onde o ministro da Agricultura (Minagri), Jaime Campos, detalhou as prioridades de sua pasta e os planos para reativar o setor.

Durante sua intervenção, um dos anúncios principais da jornada foi o avanço do projeto para uma nova lei de fomento florestal. A iniciativa busca adequar o marco normativo às exigências ambientais, territoriais e produtivas atuais, e já tem prazos fixados para sua entrega ao Executivo.

“O Chile precisa de uma nova lei de fomento florestal. Por isso, desde que assumi o Ministério, formei um grupo de tarefas que é liderado e dirigido por Fernando Raga e que está trabalhando arduamente neste projeto e, de acordo com as informações que me chegaram, em cerca de 60 dias daremos ao Presidente da República uma proposta concreta sobre o assunto”, afirmou o ministro Jaime Campos.

Em matéria hídrica, o secretário de Estado pediu para ampliar a discussão além dos instrumentos tradicionais de subsídio, assinalando que: “O problema da água se reduz à lei de fomento da irrigação, quando há um problema prévio ou maior que a disponibilidade de recursos hídricos”.

Além disso, no complexo panorama internacional, marcado por tensões comerciais e fatores climáticos. Apesar das dificuldades, o secretário de Estado apelou à resiliência histórica dos produtores locais para se adaptarem às novas condições dos mercados globais.

“Este seminário que a SNA organiza há cerca de 20 anos é uma espécie de termômetro para medir a temperatura do setor e ver as projeções que os agricultores têm para a próxima temporada. E é por isso que se analisa a situação do país e do mundo, não apenas do ponto de vista macroeconômico, mas também setor por setor. É evidente, como já foi explicado em diferentes palestras, que estamos vivendo um momento complexo na humanidade”, sustentou o ministro Campos.

Os fatores externos que condicionam o agro

A análise do Executivo aponta que as principais ameaças vêm do exterior. As contrações econômicas globais, os conflitos geopolíticos e as barreiras tarifárias das principais potências econômicas do mundo configuram um mapa de alta incerteza para as exportações chilenas.

A respeito, o ministro explicou que: “Há contrações nos mercados, existem fenômenos como a guerra do Oriente Médio que impactam a economia nacional, em muitos casos particularmente no que se relaciona com o custo dos fertilizantes, existem medidas políticas de alguns países devido à guerra comercial que existe entre grandes potências que nos ameaçam com o aumento das tarifas. Ou seja, há um mundo complexo, mas a agricultura sempre tem a capacidade de se adaptar adequadamente às novas realidades”.

Diante disso, o Minagri ratificou que o plano de ação contempla concentrar os esforços na proteção fitossanitária e zoossanitária, na gestão da irrigação, na proteção de mercados-chave e no desenvolvimento de inovação e transferência tecnológica.

Do setor privado, o presidente da SNA, Antonio Walker, valorizou a visão do Governo, mas colocou o foco nos números de atividade econômica do setor, que mostram uma desaceleração em comparação com os anos anteriores.

“O ministro fez uma análise muito realista, muito objetiva, do que está acontecendo no setor, depois tivemos uma conversa importante, nos preocupa o decrescimento da agricultura que houve no primeiro semestre, vimos que em 2024 a agricultura cresceu 9%, em 2025 cresceu 5 vírgula algo por cento e no primeiro trimestre de 2026 há um decrescimento”, advertiu Walker.

O líder sindical também apontou a agressiva estratégia comercial que o país vizinho adotou nos últimos anos como um fator a ser considerado na estratégia nacional.

“A grande lição que tiramos hoje é que devemos ter uma aliança público-privada, temos que trabalhar juntos para recuperar o crescimento da agricultura chilena, o Peru surgiu para competir, vimos os gráficos impressionantes de como o Peru criou uma política pública para impulsionar o desenvolvimento da agricultura peruana, vemos que há um concerto internacional muito volátil e a diversificação de mercados é absolutamente fundamental para não perdermos competitividade no futuro”, colocou o dirigente.

Uma nova política florestal e o debate pela água

Um dos anúncios principais da jornada foi o avanço do projeto para uma nova lei de fomento florestal. A iniciativa busca adequar o marco normativo às exigências ambientais, territoriais e produtivas atuais, e já tem prazos fixados para sua entrega ao Executivo.

“O Chile precisa de uma nova lei de fomento florestal. Por isso, desde que assumi o Ministério, formei um grupo de tarefas que é liderado e dirigido por Fernando Raga e que está trabalhando arduamente neste projeto e, de acordo com as informações que me chegaram, em cerca de 60 dias daremos ao Presidente da República uma proposta concreta sobre o assunto”, afirmou o ministro Jaime Campos.

Em matéria hídrica, o secretário de Estado pediu para ampliar a discussão além dos instrumentos tradicionais de subsídio, assinalando que: “O problema da água se reduz à lei de fomento da irrigação, quando há um problema prévio ou maior que a disponibilidade de recursos hídricos”.

Finalmente, o ministério se referiu às situações específicas que atravessam setores como as cerejas, a vitivinicultura e a beterraba. Para esses setores, a estratégia estatal se centrará em apoiar a reconversão produtiva, a atualização das normas vigentes e a busca de novos destinos comerciais internacionais.

Compartilhar: