Semanas turbulentas são vividas no setor florestal chileno. Às reestruturações e saídas já reportadas na Arauco, agora se somaram demissões em empresas contratadas que prestam serviços à CMPC, o outro gigante do ramo que enfrenta as dificuldades pelas quais a indústria atravessa.
Segundo pôde confirmar a BiobioChile, há algumas semanas já vêm sendo notificadas suspensões de atividades. René Muñoz, presidente da Associação de Contratistas Florestais (Acoforag), explicou o momento que seus representados vivem e as áreas mais afetadas pelos cortes.
"É toda a parte silvícola, mas também a parte de colheita. Essas são as duas áreas que estão sendo afetadas", advertiu.
Estima-se entre 600 e 700 o número de trabalhadores recentemente desligados, enquanto fontes do setor apontam vários fatores como os gatilhos da crise. Entre eles, os incêndios florestais, o aumento no custo dos combustíveis e uma menor demanda e preço da celulose e da madeira serrada.
Os alertas por crise no setor florestal do Bío Bío
Simón Berti, presidente nacional do Colégio de Engenheiros Florestais, concordou com os problemas de preços nos mercados internacionais e a baixa na demanda local, mas também acrescentou que o baixo ritmo de novos plantios e os atos de violência que afetam o setor têm impactado.
"O florestamento no Chile de novos hectares simplesmente não existe. Há 10 anos plantamos muito pouco. E os hectares que estavam plantados sofreram incêndios florestais (...) e ataques de incêndio intencionais, enfim", assinalou.
"Então, alguém tem que parar isso. Porque, senão, não há nenhum incentivo para investir", sublinhou.
Além disso, o sindicato florestal acrescentou que o Estado deve gerar uma política agressiva para fomentar a construção em madeira.
Vale destacar que o último relatório do INE mostra o desabamento das exportações no Bío Bío, caindo 21,4% em abril em relação ao ano anterior. A celulose lidera a queda, com 26,1% a menos na comparação interanual; o mesmo ocorreu também com a madeira serrada, que caiu 23,1%.
Fonte:BiobioChile
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