A taxa de desocupação na Região do Biobío chegou a 9,8% durante o trimestre móvel março-maio de 2026, registrando um aumento de 0,8 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. A alta se deve ao fato de que a força de trabalho cresceu em um ritmo maior do que a geração de novos empregos, situação que deixou 77.737 pessoas sem trabalho na região.
De acordo com o Boletim de Emprego do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a força de trabalho aumentou 1,1% em doze meses, enquanto a quantidade de pessoas ocupadas cresceu apenas 0,2%, equivalente a 1.448 novos empregos. Paralelamente, o número de pessoas desocupadas aumentou 10,1%, ou seja, 7.146 pessoas a mais do que há um ano.
Um dos aspectos mais relevantes do relatório é o forte crescimento da ocupação informal. A taxa de informalidade laboral atingiu 28,1%, 2,8 pontos percentuais a mais do que no mesmo trimestre de 2025, enquanto o número de trabalhadores informais aumentou 11,5%, incorporando 20.847 pessoas a essa condição.
Comércio e atividades profissionais impulsionam o emprego
Embora o crescimento do emprego tenha sido moderado, foi impulsionado principalmente pelos setores de comércio, com um aumento de 7,5%, e atividades profissionais, científicas e técnicas, que cresceram 21,1% em comparação com o ano anterior. Em contraste, as maiores quedas foram observadas em ensino (-7,3%) e administração pública (-9,5%).
Do ponto de vista da categoria ocupacional, o aumento do emprego foi explicado principalmente pelo crescimento de trabalhadores por conta própria (18,5%) e assalariados informais (8,0%). Por outro lado, diminuíram os assalariados formais (-5,9%) e os empregadores (-6,0%), refletindo uma composição do mercado de trabalho com maior peso do emprego independente e informal.
Mulheres mantêm maior taxa de desocupação
O relatório evidencia que as mulheres continuam enfrentando maiores dificuldades para acessar o mercado de trabalho. A taxa de desocupação feminina atingiu 11,3%, superando amplamente os 8,5% registrados entre os homens. Além disso, a participação laboral feminina aumentou para 48,2%, enquanto sua taxa de ocupação permaneceu estável em 42,7%.
No caso dos homens, a desocupação também aumentou, impulsionada por uma diminuição das pessoas ocupadas e um leve crescimento da força de trabalho.
Por grupos etários, o segmento entre 15 e 34 anos foi o único que registrou uma queda no emprego, com uma diminuição de 8,7%. Em contrapartida, as pessoas de 55 anos ou mais mostraram o maior crescimento, com um aumento de 7,7%, sendo o grupo que mais contribuiu para a expansão do emprego regional.
Aumenta a pressão sobre o mercado de trabalho
Outro indicador que mostrou uma deterioração foi a taxa de pressão laboral, que considera tanto os desempregados quanto aqueles que têm emprego, mas buscam mudá-lo. Esse indicador chegou a 18,3%, 3,1 pontos percentuais acima do registrado há um ano.
O relatório também revela que 66.115 pessoas ocupadas estão buscando um novo emprego, número que representa um incremento interanual de 44,3%, refletindo um aumento da incerteza laboral na região.
Biobío entre as regiões com maior aumento da informalidade
No contexto nacional, Biobío se situou entre as regiões com maior crescimento da ocupação informal, com uma alta de 11,5%, apenas atrás de Antofagasta e Coquimbo. A taxa de desemprego regional ficou acima da média nacional de 9,4%, situando-se em 9,8%.
Os números refletem um cenário laboral que continua mostrando dificuldades para gerar emprego formal suficiente, onde o crescimento do trabalho independente e informal permitiu sustentar parcialmente a ocupação, mas sem impedir o aumento do desemprego e da pressão sobre o mercado de trabalho regional.
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