Em uma operação florestal da Região de Biobío, recursos florestais que durante anos permaneceram acumulados na floresta estão sendo recuperados e incorporados novamente a processos produtivos por meio de uma iniciativa de refinamento impulsionada pela RC Bioenergía.
O que antes era considerado um recurso de baixo valor ou um passivo associado à gestão florestal, hoje pode se tornar insumo para diferentes aplicações industriais e energéticas.
O modelo desenvolvido pela RC Bioenergía busca recuperar fibra contida em biomassa degradada ou com altos níveis de inertes mediante tecnologias de processamento e classificação que permitem melhorar sua qualidade, homogeneidade e potencial de utilização. Mais do que uma operação de recuperação de resíduos, a iniciativa busca reincorporar recursos florestais subutilizados a cadeias produtivas de maior valor agregado, sob padrões cada vez mais exigentes.
Desenvolvimento de capacidades
O desenvolvimento dessa capacidade tem sido o resultado de uma visão de longo prazo em relação à evolução da indústria florestal. Nos últimos anos, a RC Bioenergía realizou investimentos em tecnologias e processos voltados à recuperação, classificação e valorização de recursos florestais, incorporando capacidades que permitam responder a novas oportunidades de desenvolvimento para o setor.
Parte importante desse processo consistiu em observar experiências internacionais e aprender com empresas e especialistas que lideram esse tipo de desenvolvimento em mercados mais avançados. Entre eles, destaca-se o trabalho realizado junto à John O'Ryan Surveyors, empresa com ampla trajetória internacional na indústria florestal, cuja experiência tem sido uma contribuição relevante no desenvolvimento de capacidades e na compreensão das oportunidades associadas à valorização de recursos florestais. Da mesma forma, permitiu reforçar a importância de contar com informações confiáveis e medições consistentes, fundamentais para identificar oportunidades de criação de valor e orientar as decisões de melhoria.
Esse aprendizado fortaleceu a convicção em relação ao potencial existente para capturar maior valor a partir dos recursos florestais disponíveis e desenvolver capacidades que permitam acompanhar a evolução futura da indústria.
Além do uso energético
Atualmente, a principal aplicação dos materiais refinados corresponde à produção de combustível para usos energéticos industriais. No entanto, o desenvolvimento dessas capacidades também abre oportunidades para avançar na recuperação e valorização de recursos que historicamente tiveram aproveitamento limitado.
“Historicamente, a fibra utilizada por diferentes indústrias provém principalmente de toras e roliços destinados à produção de polpa ou madeira serrada. A possibilidade de recuperar fibra contida em resíduos e biomassas abre uma nova fonte de abastecimento e uma oportunidade para capturar maior valor a partir dos recursos florestais disponíveis”, afirma Cristóbal Corral, gerente geral da RC Bioenergía.
Embora essas aplicações façam parte de uma visão de longo prazo, representam uma oportunidade para ampliar as alternativas de aproveitamento dos recursos florestais disponíveis e gerar novas opções de desenvolvimento para a indústria.
Novo olhar sobre os recursos florestais
Para Cristóbal Corral, iniciativas como esta refletem uma evolução na forma como a indústria florestal entende e aproveita seus recursos. “Durante décadas, grande parte da biomassa florestal foi considerada principalmente uma fonte de energia ou um subproduto das operações florestais. No entanto, hoje existe uma oportunidade muito mais ampla: entender esses recursos como uma fonte potencial de matérias-primas capazes de abastecer diferentes cadeias de valor”, afirma.
Em sua opinião, um dos principais desafios dos próximos anos será avançar em direção a modelos de aproveitamento mais integrais, onde cada recurso florestal possa ser destinado ao uso que gere maior valor.
“A bioeconomia não consiste apenas em substituir combustíveis fósseis. Também implica desenvolver novas aplicações, materiais e produtos a partir de recursos renováveis, aproveitando melhor as capacidades que já existem em nossas florestas”, afirmou.
Experiências em países como Suécia e Finlândia mostram como os recursos florestais podem se transformar na base de novas indústrias associadas a biomateriais, bioprodutos e outras soluções de base biológica.
“O Chile conta com recursos florestais, capacidades industriais e conhecimento técnico para avançar nessa direção. O desafio é capturar uma maior proporção do valor contido em nossos recursos florestais e desenvolver novas capacidades para transformá-los em produtos de maior valor agregado”, acrescentou Corral.
De passivo ambiental a recurso estratégico
A possibilidade de recuperar e valorizar recursos que historicamente tiveram aproveitamento limitado abre uma oportunidade para ampliar as fontes de abastecimento de fibra e capturar maior valor a partir dos recursos florestais disponíveis.
“O que antes podia ser considerado um passivo ambiental hoje pode se transformar em um recurso estratégico para a indústria florestal. O desafio está em desenvolver as capacidades, o conhecimento e as alianças necessárias para converter essa oportunidade em realidade”, afirmou Cristóbal Corral.
Na Acoforag, valorizamos o trabalho desenvolvido pela RC Bioenergía e destacamos que iniciativas como esta contribuem para uma melhor utilização dos recursos florestais disponíveis, promovendo novas oportunidades de valorização e desenvolvimento para a bioeconomia florestal chilena. Da mesma forma, refletem a importância de que as empresas contratantes continuem incorporando novas capacidades, tecnologias e modelos de negócio que lhes permitam participar ativamente dos desafios e oportunidades que o setor florestal enfrenta nos próximos anos.
A reportagem naRevista Acoforag
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