A segurança voltou a ser a principal preocupação do setor florestal. Para a Associação de Contratistas Florestais (Acoforag), a recuperação da atividade produtiva na Macrozona Sul depende, antes de qualquer outro fator, de que o Estado consiga restabelecer as condições necessárias para que trabalhadores, contratistas e empresas possam desenvolver suas atividades sem ameaças ou atos de violência.

Foi o que afirmou no programa Frente Regional da Canal 9 Biobio TV o gerente da Acoforag, René Muñoz, que declarou que a crise enfrentada pelo setor não responde unicamente a fatores econômicos ou de mercado, mas é o resultado de quase três décadas de insegurança, atentados e enfraquecimento do Estado de Direito nas regiões de Biobío e La Araucanía.

"O principal problema é a segurança", enfatizou Muñoz, que explicou que o conceito não se refere apenas à ocorrência de atentados, mas também à capacidade do Estado de garantir direitos fundamentais, como trabalhar, empreender e se deslocar com liberdade pelos territórios afetados.

Na opinião do dirigente sindical, a falta de uma resposta eficaz durante os últimos 29 anos permitiu que se consolidasse um cenário onde convergem organizações violentas, crime organizado e diversos delitos que hoje fazem parte de um mesmo fenômeno criminal.

Entre eles, mencionou atentados incendiários, tráfico de armas, narcotráfico, abigeato, roubo de veículos, extorsões e outros ilícitos que, segundo indicou, transformaram a violência em um negócio difícil de desarticular.

"Quando existe um negócio que além disso é rentável, evidentemente quem participa dele não tem incentivos para abandoná-lo", sustentou durante a entrevista.

Reuniões com o Governo

Nesse contexto, Muñoz confirmou que a Acoforag já realizou reuniões com o Presidente da República e posteriormente com representantes do Ministério da Segurança, liderados pelo chefe da Unidade Estratégica, Eduardo Bennett.

Segundo explicou, ambas as ocasiões permitiram expor a realidade vivida pelo setor e os efeitos que a violência tem tido sobre a atividade produtiva na Macrozona Sul. No entanto, precisou que até agora não existe uma proposta concreta por parte do Executivo.

"Nós nos reunimos na semana passada em Santiago e ainda não temos nenhuma medida concreta. Estamos esperando que seja apresentado um plano para podermos revisá-lo, analisá-lo e fazer nossas observações", afirmou.

O dirigente acrescentou que compreende a complexidade do cenário enfrentado pela nova administração, sinalizando que durante a campanha muitas soluções pareciam mais simples de implementar, mas que a realidade demonstra a magnitude do problema existente na zona.

Vítimas e reparação

Um dos aspectos que a Acoforag espera ver incorporado no futuro plano governamental é um programa de apoio para as vítimas da violência rural.

Muñoz sustentou que durante anos numerosas pessoas perderam familiares, maquinário, infraestrutura, fontes de trabalho e projetos de vida, sem que exista uma política pública de reparação condizente com a magnitude do problema.

"Esperamos que exista um plano que considere tudo o que ocorreu na zona. Aqui há uma coisa que foi deixada de lado: as vítimas. Não conhecemos um plano de apoio para aqueles que perderam familiares, bens ou seus projetos de vida em decorrência da violência", sinalizou.

A nova lei florestal

Junto com as medidas de segurança, o dirigente sindical manifestou que o setor observa com expectativa a futura lei de fomento florestal impulsionada pelo Governo.

Em sua opinião, a iniciativa representa uma oportunidade para reverter mais de uma década de baixa forestação e recuperar a capacidade produtiva do país.

Muñoz lembrou que o Chile está há cerca de 15 anos sem uma política eficaz de incentivo às plantações florestais, situação que poderia afetar o abastecimento de matéria-prima nas próximas décadas, considerando os longos ciclos de crescimento das espécies florestais.

Da mesma forma, indicou que a nova normativa deveria dar maior liberdade aos proprietários para definir quais espécies plantar e promover a recuperação de terrenos degradados, estimados em cerca de um milhão e meio de hectares em nível nacional.

Prevenção de incêndios

Durante a conversa, também abordou a necessidade de fortalecer a legislação sobre incêndios florestais.

Nesse sentido, valorizou que as novas propostas visem fortalecer a prevenção, o combate e a investigação desses delitos, evitando que o peso econômico das medidas preventivas recaia exclusivamente sobre pequenos proprietários florestais.

Além disso, insistiu que o baixo percentual de esclarecimento tanto de incêndios intencionais quanto de atentados representa outro elemento que alimenta a sensação de impunidade na Macrozona Sul.

Impacto sobre a atividade

Embora a segurança tenha sido o eixo central de suas colocações, Muñoz reconheceu que a deterioração do cenário também teve consequências econômicas e trabalhistas.

Indicou que na última década o setor florestal perdeu cerca de 4.000 postos de trabalho, dos quais aproximadamente a metade desapareceu durante o último ano e meio.

No entanto, insistiu que a perda de emprego deve ser entendida como uma consequência de um problema muito mais profundo.

"A atividade começa a sofrer quando já não existem as condições mínimas para trabalhar com segurança. Aí começam a paralisar as obras, a diminuir os investimentos e, finalmente, perdem-se empregos", sustentou.

Para a Acoforag, a recuperação do setor dependerá de dois pilares fundamentais: um plano eficaz que permita recuperar o controle do Estado na Macrozona Sul e a aprovação de uma lei de fomento florestal que impulsione novas plantações e dê certezas para voltar a investir no país.




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