A inovação, o emprego, a formação de capital humano e a coordenação entre o setor público e privado marcaram o debate em torno do futuro da indústria florestal na província do Biobío.

A discussão ocorreu nesta quarta-feira no Ciclo de Encontros Biobío 2050: Inovação Florestal para o desenvolvimento, geração de emprego e sustentabilidade, um encontro voltado a abordar a contribuição do setor ao desenvolvimento regional e seus desafios para as próximas décadas, com especial ênfase na estratégia Biobío 2050.

Da Empresas CMPC, o Gerente de Assuntos Corporativos de Florestas, Francisco Reveco Reyes, afirmou que a província e particularmente a comuna de Los Ángeles têm uma relevância significativa para a atividade florestal, embora parte dessa contribuição nem sempre seja visível para a cidadania.

Reveco destacou que, apesar do cenário complexo que a atividade enfrenta atualmente em nível mundial, existe uma oportunidade associada ao desenvolvimento de novos usos para a fibra florestal, especialmente como alternativa frente a materiais derivados de hidrocarbonetos.

"A fibra florestal está chamada e vai conseguir" ser um substituto dos hidrocarbonetos, afirmou.

Nesse cenário, destacou a necessidade de vincular a indústria a universidades e centros de formação para avançar em pesquisa, inovação e geração de novas oportunidades de trabalho.

Segundo explicou, estão sendo desenvolvidos vínculos com instituições de ensino superior como a Universidade de Concepción e a Duoc UC, com o objetivo de abrir oportunidades para jovens e fortalecer as capacidades necessárias para uma indústria que busca incorporar maior valor aos seus produtos.

Biobío e a oportunidade da bioeconomia

Uma visão semelhante foi apresentada por Alejandro Casagrande Ulloa, presidente da Corma Biobío Ñuble, que focou na transformação tecnológica que o setor florestal experimenta e nas oportunidades associadas à chamada bioeconomia.

O dirigente sindical destacou que produtos como a madeira e a celulose incorporam pesquisa, conhecimento e inovação, e afirmou que o desafio consiste em avançar rumo a novas soluções vinculadas a bioprodutos, bioenergia e biomateriais.

"A madeira e a celulose são produtos que incorporam muita inovação, muito conhecimento, muita pesquisa."

Casagrande destacou que Biobío reúne condições relevantes para assumir esse desafio, entre elas universidades, empresas, trabalhadores, instituições e capacidades logísticas.

De acordo com sua abordagem, um dos principais desafios está em transferir essas capacidades para as pequenas e médias empresas, para que possam avançar rumo a produtos e processos de maior valor. "O grande desafio é que o mundo das pequenas e médias empresas temos que levá-lo a um nível superior de alto valor e também de classe mundial", indicou.

Nessa linha, destacou a importância dos encadeamentos produtivos e das alianças entre empresas de maior porte e fornecedores locais.

Também trouxe à tona outro fator considerado estratégico: a formação de capital humano.

O desafio, afirmou, não passa apenas por incorporar maquinário ou desenvolver novos processos, mas também por contar com trabalhadores e profissionais preparados para as necessidades que a região terá nos próximos anos.

Relacionamento público-privado

Nessa mesma linha, Carolina Vivallo, encarregada provincial da Desarrolla Biobío, destacou o papel da articulação público-privada como uma ferramenta-chave para impulsionar o desenvolvimento da província e gerar um ecossistema que permita conectar os diferentes atores do território.

Nesse contexto, destacou o trabalho que está sendo desenvolvido sob a estratégia Biobío 2050, onde o setor florestal tem uma participação relevante por meio de organizações sindicais, cooperativas e representantes da indústria.

Segundo explicou, a iniciativa busca estabelecer eixos, papéis e lideranças que permitam projetar estrategicamente o setor florestal desde a província do Biobío e fortalecer sua contribuição ao desenvolvimento regional.

"Hoje estamos trabalhando como, através do setor florestal, podemos ter uma visão rumo a um Biobío 2050, definindo eixos, papéis, líderes e uma tremenda visão estratégica quanto ao setor florestal desde a província do Biobío."

Municípios pedem fortalecimento do diálogo com as comunidades

No âmbito municipal, o prefeito de Quilaco, Pablo Urrutia, destacou a importância de gerar espaços de conversa entre as empresas florestais, os municípios, o Governo Regional e as comunidades.

Em sua opinião, os municípios cumprem um papel de articulação frente a situações que impactam diretamente os habitantes, como o estado das estradas utilizadas pelo transporte florestal e as consequências econômicas derivadas das modificações nos níveis de emprego do setor.

Urrutia relatou que em Quilaco foram geradas iniciativas de colaboração para melhorar estradas rurais e destacou que esse tipo de coordenação permite que as comunidades compreendam melhor o funcionamento da atividade produtiva.

"O prefeito é a ponte entre o Estado e o vizinho, entre o vizinho e a empresa privada", afirmou, ao abordar o papel que os governos locais cumprem nesses processos.

O chefe comunal também manifestou preocupação com a redução de postos de trabalho vinculados à atividade florestal, situação que, segundo explicou, acaba gerando novas pressões sobre os municípios.

Florestamento e prevenção de incêndios

Por sua vez, o prefeito de Los Ángeles, José Pérez Arriagada, abordou a necessidade de fortalecer o florestamento e apoiar pequenos agricultores que perderam superfícies florestais devido aos incêndios.

O chefe comunal lembrou políticas de florestamento impulsionadas décadas atrás e destacou a possibilidade de desenvolver mecanismos de apoio direcionados especificamente a pequenos proprietários.

Em paralelo, afirmou que a proteção da atividade florestal requer fortalecer as capacidades de prevenção e combate a incêndios, considerando as condições de temperatura e vento registradas durante a temporada de verão.

"Eu acredito que o primeiro é cuidar do setor florestal, que gera muito trabalho, que gera muitas divisas para o Estado, e evitar essas queimadas intencionais que têm ocorrido nos últimos anos."

Para Pérez Arriagada, a discussão sobre o futuro do setor também deve considerar a recuperação de terrenos com aptidão florestal e a geração de emprego, diferenciando esses espaços daqueles destinados à produção agrícola.

"Temos que nos preparar para o futuro próximo, para o verão, conjuntamente com as empresas, para evitar esse dano tremendo que é causado ao setor florestal."

A jornada deixou um desafio que transcende a produção de madeira e celulose: como transformar as capacidades instaladas em Biobío em uma plataforma de inovação, emprego e desenvolvimento com impacto territorial.

Fonte:La Tribuna


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