Preparar as florestas para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas é hoje um dos principais desafios da pesquisa florestal na província de Biobío. Esse é o trabalho liderado por Bibiana Rubini, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Bioeconomia da CMPC, que desde 2023 dirige equipes dedicadas a gerar novos processos, produtos e soluções para as operações que a empresa mantém no Chile e no Brasil.

Entre as áreas sob sua responsabilidade está o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Industrial da CMPC, localizado na Planta Santa Fe, em Nacimiento, cujas instalações foram reinauguradas em 6 de julho passado para fortalecer a pesquisa aplicada em madeira, celulose e novos materiais, com uma infraestrutura projetada para responder às necessidades de inovação da próxima década.

Em conversa com o Diario La Tribuna, a engenheira química brasileira revisou sua trajetória profissional, desde seus primeiros anos como pesquisadora em seu país natal até sua chegada à CMPC, além de explicar como a ciência e a inovação buscam se antecipar às mudanças que as florestas já experimentam.

DO BRASIL À CMPC

Nascida em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, Bibiana Rubini passou grande parte de sua infância percorrendo diferentes cidades do Brasil junto à sua família. Essas experiências marcaram seus primeiros anos e despertaram seu interesse pelas ciências exatas.

“Algo importante sobre mim e minha família é que somos bastante nômades. Meus pais mudaram muito de cidade durante minha infância por questões de trabalho. Meu pai era engenheiro nuclear e daí vem meu gosto pela engenharia e pelas ciências exatas. Como mudamos tanto, não tenho um lugar que sinta como minha casa de toda a vida”, relatou.

Essa inquietação a levou a estudar Engenharia Química, formação que complementou com um mestrado na mesma disciplina e diversos programas de pós-graduação e MBA focados em inovação, gestão e liderança. Com essa preparação, iniciou uma trajetória em pesquisa aplicada que a levou a atuar por mais de duas décadas na indústria de celulose, antes de assumir um novo desafio no Chile.

“Comecei como pesquisadora na Aracruz. Depois passei para a Fibria, onde assumi diferentes cargos até chegar à gerência de pesquisa. Mais tarde fui gerente executiva na Suzano e, em 2022, recebi o convite para assumir esta posição na CMPC. Pareceu-me uma oportunidade muito boa e me mudei para o Chile com meu marido e meus dois filhos”, recordou.

Desde fevereiro de 2023 reside no Chile junto ao marido e aos dois filhos. Embora sua base esteja em Santiago, suas funções a levam a se deslocar com frequência para a província de Biobío, onde se concentra parte importante da pesquisa que a CMPC lidera.

INOVAÇÃO A PARTIR DA PROVÍNCIA DE BIOBÍO

Desde seu cargo, Bibiana Rubini lidera uma equipe focada em incorporar novas tecnologias e desenvolver iniciativas que contribuam para o crescimento da empresa, desde a pesquisa aplicada até a criação de novos produtos.

“Sou responsável por pesquisa, desenvolvimento, inovação e bioeconomia na CMPC. Nosso trabalho consiste em gerar conhecimento, desenvolver soluções tecnológicas e buscar ferramentas que nos permitam tornar os processos mais eficientes, desenvolver novos produtos, reduzir nossa pegada ambiental e atender melhor ao mercado”, explicou.

Os anos dedicados à pesquisa também lhe permitiram participar de projetos que deram origem a inovações patenteadas. No entanto, um dos aspectos que mais valoriza desde sua chegada à CMPC é a qualidade da produção obtida na Planta Santa Fe.

“Tenho três ou quatro patentes em meu nome, fruto de desenvolvimentos que fiz durante minha fase como pesquisadora. Naquela época, meu sonho era desenvolver uma celulose que tivesse o desempenho da polpa Santa Fe. Veja onde estou agora, tenho ela para mim”, comentou.

Entre os marcos que mais lembra de sua carreira está o desenvolvimento de uma planta de nanocelulose, projeto que coincidiu com uma fase muito especial de sua vida pessoal e profissional.

“Foi uma das primeiras plantas de nanocelulose do mundo e a primeira na América Latina. Voltei da minha licença-maternidade e me entregaram esse projeto. Foi um desafio muito grande, porque não conhecíamos nada sobre o assunto, mas foi uma experiência muito bonita”, recordou.

PREPARAR AS FLORESTAS PARA O FUTURO

A experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas em pesquisa lhe permite observar em primeira mão como mudaram as condições em que se desenvolvem as plantações florestais. Esse cenário, afirmou, exige um olhar que abranja todo o ciclo da floresta para se antecipar ao que vem.

“Como gerente, meu trabalho abrange todo o processo: desde a semente e o DNA que vamos plantar até o produto que estamos entregando. Hoje nosso principal desafio é a floresta. As mudanças climáticas nos trazem secas muito mais rigorosas, temperaturas mais altas e chuvas com padrões diferentes. Como manter a floresta produtiva? Como manter a floresta saudável? Esse é nosso desafio mais importante”, afirmou.

Na opinião de Rubini, a rapidez com que essas condições evoluem também obrigou a fortalecer as capacidades de pesquisa que a CMPC desenvolve na província de Biobío, onde se impulsiona parte importante do trabalho científico liderado por sua equipe.

“O que antes ocorria lentamente, hoje está se acelerando. Nosso grande desafio é nos prepararmos para o futuro das florestas. No Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Industrial de Nacimiento fazemos a experimentação para transformar a biomassa em celulose e outros produtos, como a nanocelulose. Esse trabalho complementamos com o laboratório específico para tecnologia florestal que fica em Los Ángeles”, concluiu.

Fonte:La Tribuna


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