Sob a direção de Aida Baldini, que completará três meses como diretora nacional no próximo 23 de dezembro, período em que implementou diversas mudanças, a corporação busca reforçar a prevenção de incêndios florestais com novas tecnologias e filtros mais rigorosos para brigadistas, evitando tragédias como o mega-incêndio de fevereiro.

Prevenção e tecnologia. Esse é parte do foco que a Corporação Nacional Florestal (Conaf) adotou como eixo de trabalho desde 23 de setembro passado, quando a engenheira florestal Aida Baldini assumiu como nova diretora nacional após a renúncia de Christian Little. Uma prioridade que, segundo especialistas da corporação, era necessária, especialmente para evitar tragédias como a ocorrida em fevereiro deste ano na região de Valparaíso, que deixou mais de 130 mortos e três municípios afetados. Além disso, esse foi um dos requisitos que o presidente Gabriel Boric encarregou a esta nova administração.

E a estratégia já é perceptível quase três meses após sua posse. Inclusive com uma equipe renovada e um novo gerente de Proteção contra Incêndios Florestais, que assumiu em 1º de outubro, substituindo Pablo Lobos, que ocupava o cargo desde abril de 2017. Trata-se do engenheiro florestal Jorge Saavedra, que desde 2018 era chefe do Departamento de Desenvolvimento e Pesquisa.

Saavedra, segundo comentários internos na Conaf, foi escolhido devido ao seu amplo conhecimento em novas tecnologias e como elas podem ser usadas para educar a população, além de prevenir sinistros e focos de incêndio.

Novas tecnologias

Ferramentas que a própria diretora nacional apresentou publicamente em outubro deste ano, correspondendo a 13 novas tecnologias para detecção precoce de sinistros, por meio de múltiplos convênios de colaboração com centros de pesquisa e entidades privadas. Por exemplo, como explica Saavedra ao La Tercera, uma delas é o software "Botão Vermelho", que ajuda a avaliar variáveis que poderiam influenciar um incêndio em nível nacional para prevenir sua expansão, além de ferramentas de simulação e análise de incêndios.

Somam-se a isso a instalação de câmeras de detecção remota com Inteligência Artificial para alertar sobre fumaça ou focos de incêndios florestais, que estão sendo instaladas em regiões como protótipos para testes antes de serem expandidas para todo o território. Tudo isso, segundo a Conaf, graças a um aumento de recursos.

“No ano passado, realizamos um aumento orçamentário muito significativo na Conaf. Este ano consolidamos esse orçamento e, além disso, estamos realizando um aumento muito significativo no orçamento do Senapred. Vamos destinar um valor histórico de mais de $156 bilhões para o combate a incêndios florestais”, afirmou o presidente Boric na ocasião.

Mas a marca de Baldini não se limita a novas ferramentas, incluindo também a implementação de filtros mais rigorosos para brigadistas que atuam na prevenção e combate a incêndios.

Isso após descobrir-se que brigadistas da Conaf haviam participado do mega-incêndio de fevereiro. Há duas semanas, outros três foram detidos. Os detidos eram dois brigadistas ativos e um ex-funcionário da instituição.

Sobre isso, Baldini explicou que os acusados haviam passado nos exames psicológicos exigidos pela instituição. Por isso, a corporação tem colaborado com especialistas e bombeiros para melhorar os testes psicológicos e adaptá-los a perfis que identifiquem possíveis riscos, já que os atuais só detectam patologias, mas não interesses pessoais. “Alguns sistemas ainda são vulneráveis”, lamentou na época.

Além disso, está sendo avaliada a modificação do estatuto trabalhista dos brigadistas, eliminando a possibilidade de horas extras, o que teria sido o incentivo dos acusados para iniciar os incêndios. Mas, segundo fontes da corporação, a diretora também sugeriu a iniciativa de "profissionalizar" os brigadistas, ou seja, torná-los trabalhadores fixos, não apenas temporários (de novembro a março). O como ainda está em discussão.

Isso ajudaria a manter a continuidade com os funcionários, conhecê-los melhor e garantir maior preparação no combate e prevenção, além de recursos estáveis.

Fonte:La Tercera

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