No âmbito do início da temporada de incêndios florestais 2025-2026, o CEO da CMPC, Francisco Ruiz-Tagle, manteve um encontro com o chefe da pasta da Segurança Pública, Luis Cordero. Na ocasião, a empresa apresentou o panorama atualizado de ocorrência, causalidade e riscos territoriais, juntamente com os principais reforços operacionais que implementará para enfrentar um verão que se projeta especialmente exigente para o combate ao fogo.

A reunião ocorreu em um contexto em que os números oficiais mostram um aumento de incêndios mesmo em meses historicamente considerados de baixa ocorrência (de julho ao início de dezembro), com altas regionais que, segundo informações da Conaf, variam entre 6% e 44% em relação ao ano anterior.

Somam-se a isso antecedentes que alertam sobre novos indícios de intencionalidade, entre eles, incêndios multifocais simultâneos próximos a zonas povoadas e repetição de eventos em pontos críticos. De acordo com os registros da CMPC, entre 1º de julho e 5 de dezembro a empresa enfrentou 61 incêndios, dos quais aproximadamente metade apresenta características de serem intencionais.

DETECÇÃO PRECOCE

O gerente geral da empresa agradeceu e valorizou o encontro mantido com a autoridade do Governo, destacando que para a CMPC é fundamental trabalhar na detecção precoce de eventuais focos e educar a cidadania para evitar os sinistros. “Para nós, interessa a coordenação, a prevenção e a proteção da população. Há zonas que temos identificadas onde a ocorrência de incêndios é definitivamente mais alta, então o objetivo disso também é alertar a autoridade sobre onde está ocorrendo o mais grave, de maneira a poder trabalhar sobretudo na prevenção. Nós repetimos todos os anos o mesmo: no Chile não existem incêndios que se geram por si mesmos, 100% dos incêndios no Chile são gerados por pessoas. Uma porcentagem lamentavelmente elevada deles é intencional e também há muitos que ocorrem por negligência, por isso é um chamado absolutamente à prevenção”, indicou Francisco Ruiz-Tagle.

Em nível nacional, a temporada passada registrou 5.890 incêndios (+4%), enquanto a macrorregião sul alcançou 4.714 eventos (+0,6%). Segundo dados levantados pela Corma e Conaf, 40% dos incêndios correspondem a causas negligentes, 27% a causas intencionais, 11% a causas indeterminadas e 27% a casos sem informação.

No caso dos terrenos administrados pela CMPC, a Região de La Araucanía concentra historicamente a maior ocorrência, especialmente nas comunas de Collipulli, Ercilla, Angol e Los Sauces. A empresa apresentou também uma simulação técnica elaborada a partir de um incêndio real ocorrido em Collipulli, que mostrou que um evento de 2.500 hectares poderia ter escalado para 12.000 em questão de horas caso coincidisse com condições climáticas adversas, alcançando inclusive zonas habitadas.

DESDOBRAMENTO REFORÇADO

A CMPC detalhou também o desdobramento reforçado para a temporada 2025-2026, que inclui 84 brigadas multiuso ativas, patrulhamentos que superam 15.000 quilômetros em mais de 300 rotas de alto risco, e a operação simultânea de brigadas dissuasivas, vigias, recursos de combate aéreo e terrestre, além de um sistema de vigilância predial e patrulhamento preventivo coordenado com autoridades locais. A isso soma-se a rede de 523 comitês de prevenção comunitária, atualmente dedicada ao levantamento de riscos e à construção de planos de ação locais em coordenação com o Senapred.

“Os incêndios podem ser detidos. Há outros países do mundo que têm situações de calor e ventos similares às chilenas e a ocorrência no Chile é particularmente alta. Por isso quero ser muito claro sobre o fato de que isso é responsabilidade das pessoas. Nós temos uma central de incêndios que conhece muito bem e tem informação e dados de toda a ocorrência de incêndios, então se fizermos cruzamentos sabemos perfeitamente bem onde os incêndios estão se originando e evidentemente trabalhamos sobre essa informação”, detalhou o líder da empresa florestal.

Durante a reunião, a empresa reiterou sua disposição para continuar colaborando ativamente nas mesas COGRID regionais, provinciais e comunais; manter a troca permanente de informações meteorológicas e territoriais; e fortalecer a coordenação operacional para assegurar um combate mais precoce e efetivo durante os meses de maior risco.



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