O fortalecimento da reabilitação de fauna silvestre no Chile deu um passo fundamental com o início de um projeto financiado pelo Ministério do Meio Ambiente através do Fundo de Proteção Ambiental (FPA 2026), que prevê um investimento de $150 milhões para avançar em direção a um modelo de gestão integral e colaborativo em nível nacional.
A iniciativa é executada pelo Centro de Reabilitação e Educação em Fauna Silvestre (Andes) da Universidade de Concepción, e tem como objetivo articular o trabalho dos Centros de Reabilitação ou Resgate de Fauna Silvestre (Cerefas) em todo o país. O enfoque visa fortalecer suas capacidades técnicas, operacionais e de coordenação, em um contexto onde a pressão sobre a biodiversidade tem aumentado.
A diretora da Andes-UdeC, Paula Aravena Bustos, destacou o caráter histórico da iniciativa, sublinhando que se trata do maior investimento realizado pelo Fundo de Proteção Ambiental em mais de três décadas. “Este projeto representa um marco e uma grande responsabilidade. Buscamos fortalecer a capacidade nacional em reabilitação de fauna silvestre e projetá-la para padrões internacionais, trabalhando de forma colaborativa com equipes técnicas e profissionais”, afirmou.
Na mesma linha, o decano da Faculdade de Ciências Veterinárias, Patricio Rojas Castañeda, valorizou o papel da academia neste processo. “Nos honra liderar esta iniciativa, colocando nossas capacidades a serviço do país. Não apenas geramos conhecimento, mas o transformamos em soluções concretas que fortalecem o padrão nacional”, declarou.
Articulação e trabalho colaborativo para a biodiversidade
O subsecretário de Meio Ambiente, José Ignacio Vial Barros, destacou a importância da colaboração entre diferentes atores para enfrentar os desafios ambientais. “O Estado por si só não pode cuidar do meio ambiente. Este projeto demonstra que a articulação com universidades, centros de reabilitação e voluntários é fundamental para proteger nossa biodiversidade”, indicou.
Da mesma forma, destacou o papel fundamental daqueles que trabalham diretamente em campo, sublinhando que o compromisso de voluntários e profissionais permite resgatar, reabilitar e reinserir em seu habitat os animais afetados por diversas ameaças.
Estratégia nacional e projeção internacional
O projeto prevê o desenho de uma estratégia de educação ambiental e comunicação socioecológica, orientada a promover a valorização da biodiversidade e a proteção da fauna silvestre. Entre suas principais ações, inclui-se a realização de um diagnóstico em nível nacional e internacional dos Cerefas, juntamente com a elaboração de planos de gestão que permitam otimizar os processos de reabilitação.
Além disso, a iniciativa incorpora redes de colaboração internacional, como a Associação Latino-Americana de resposta a emergências e desastres com animais, com o objetivo de melhorar protocolos, implementar ações precoces e promover boas práticas tanto em nível técnico quanto comunitário.
Nesse contexto, o diretor regional (s) do Serviço Agrícola e Pecuário em Ñuble, Gabriel Bustos, valorizou o enfoque do projeto. “Esta iniciativa avança em uma linha estratégica ao propor planos de gestão que otimizem os processos de reabilitação, fortaleçam as ações precoces e padronizem critérios de manejo, sempre com um enfoque técnico, ético e sanitário”, afirmou.
Um momento destacado da jornada foi o reconhecimento a voluntários e estudantes que lideraram a reabilitação de fauna afetada pelos incêndios florestais de janeiro e fevereiro de 2026, bem como às equipes profissionais que responderam à emergência. Seu trabalho foi fundamental para resgatar e recuperar exemplares impactados, evidenciando a importância de contar com capacidades fortalecidas e coordenadas em nível país.
Com esta iniciativa, o Chile avança em direção a um modelo mais robusto de proteção de sua fauna silvestre, integrando ciência, gestão pública e compromisso cidadão em favor da conservação da biodiversidade.
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