Múltiplas demissões na indústria florestal acenderam alertas na Região de Biobío. Aos cerca de 100 desligamentos informados recentemente pela empresa Arauco, somaram-se posteriormente outros 600 a 700 trabalhadores de empresas contratadas que prestam serviços à CMPC, configurando um cenário que preocupa tanto o setor produtivo quanto o mundo político.
Diante disso, diferentes atores do setor concordam que respondem a um cenário mais amplo que afeta a indústria.
Enquanto a Associação de Contratistas Florestais alertou que os maiores impactos se concentram nas áreas de colheita e silvicultura, o Colégio de Engenheiros Florestais aponta para a menor demanda internacional, a queda dos preços da celulose e da madeira, o aumento dos custos, os incêndios, a menor forestação na última década e a perda de competitividade.
Nesse contexto, consultada pelo Diario Concepción, a Corporação Chilena da Madeira (Corma) sustenta que o foco não deve se limitar apenas às demissões já registradas, mas também às condições que as empresas enfrentam hoje para manter a atividade e o emprego.
“Para a Corma, cada emprego perdido no setor florestal é um sinal de alerta. Hoje são necessárias medidas concretas e urgentes que permitam sustentar a atividade e proteger as pequenas e médias empresas. Precisamos de uma política mais decidida para impulsionar a construção em madeira, capaz de gerar maior atividade e contribuir para frear a perda de empregos”, afirmou seu presidente, Rodrigo O”Ryan.
O”Ryan acrescentou que um dos desafios mais urgentes passa por oferecer melhores condições para o desenvolvimento da atividade. “É indispensável fortalecer a segurança. Hoje muitas PMEs e empresas contratadas estão fazendo grandes esforços para se manter no mercado e continuar gerando trabalho”, sustentou.
Propostas do Congresso
Os recentes fatos foram vistos por congressistas da região, que concordaram sobre a necessidade de adotar medidas para recuperar a competitividade de uma indústria considerada estratégica para a economia regional, embora com diferentes ênfases quanto às soluções.
O deputado Patricio Pinilla (DC), representante do Distrito 21, atribuiu a situação a uma combinação de fatores nacionais e internacionais. “As principais causas são o aumento dos combustíveis e insumos, as vantagens comparativas que outros territórios apresentam para a produção de celulose, a queda do preço internacional da celulose e a demora na geração de licenças para novos investimentos. Isso afeta gravemente nossa região, que se define como florestal, o que acarreta um desemprego altíssimo e custos sociais”, destacou.
Nessa linha, garantiu que atualmente impulsiona uma proposta voltada a fortalecer a atividade de menor escala. “Estamos promovendo uma lei de incentivo florestal, sustentável e limitada a pequenas propriedades. A nosso ver, isso poderia dinamizar este setor com incentivos tributários e processos mais rápidos”, comentou.
Da mesma forma, propôs formar uma mesa de trabalho integrada pelos ministérios da Fazenda e Economia, o Governo Regional, municípios, empresas e sindicatos para avançar em medidas de reinserção laboral e novas iniciativas para enfrentar a situação.
Do mesmo distrito, a deputada Lilian Betancourt (PDG) alertou que o impacto das demissões transcende as empresas envolvidas. “O que está ocorrendo na indústria florestal é um sinal de alerta para toda a Região de Biobío. As demissões em empresas contratantes e contratadas afetam diretamente centenas de famílias e uma ampla cadeia de fornecedores, transporte, comércio e serviços que dependem desta atividade”, afirmou.
A parlamentar acrescentou que diferentes atores do setor manifestaram a necessidade de recuperar a competitividade da indústria e incentivar novamente o plantio, especialmente após os incêndios florestais de 2023. Nesse sentido, sustentou que é urgente “gerar certezas para o investimento, promover incentivos para a reflorestação e novos plantios, simplificar a tramitação de projetos e fortalecer um manejo florestal sustentável”.
Seu colega de partido pelo Distrito 20, Patricio Briones (PDG), enfatizou a competitividade do Chile em comparação com outros países produtores. “É indubitável que as políticas tributárias que aumentaram a taxa imponível, assim como aquelas que desincentivaram a contratação de mão de obra, tornaram o Chile menos competitivo que Brasil, Colômbia e Paraguai em relação aos investimentos florestais, que estão se transferindo para esses países”, sustentou.
Nesse contexto, indicou que solicitará ao Executivo impulsionar modificações nessas matérias: “Coordenaremos com a bancada uma solicitação a respeito, o mais breve possível”.
Uma postura similar expressou a deputada Marlene Pérez (Ind-UDI), que classificou a indústria florestal como “estratégica para Biobío” e sustentou que seu enfraquecimento representa “uma péssima notícia para milhares de trabalhadores e suas famílias”.
Na opinião da congressista, o setor enfrenta atualmente uma combinação de fatores que incluem a queda dos preços internacionais, o aumento dos custos de energia e logística, e a violência que durante anos afetou as zonas florestais.
Por isso, propôs que o Estado deve avançar em medidas para recuperar a competitividade, fortalecer a segurança, agilizar a tramitação de investimentos e incentivar novos plantios. Da mesma forma, argumenta que o Ministério do Trabalho deveria reforçar as políticas de apoio, capacitação e reconversão laboral para aqueles afetados por novas perdas de emprego.
Sua colega de bancada no Distrito 21, a deputada Flor Weisse (UDI), alertou que um dos principais fatores que afetaram o setor é a falta de condições de segurança. “Sem segurança não há desenvolvimento, não há confiança para investir e, no final, quem acaba pagando as consequências são os trabalhadores e suas famílias”, afirmou. A isso somou a crescente burocracia, as maiores exigências regulatórias e um cenário internacional cada vez mais competitivo.
Quanto às medidas, acrescentou que continuará impulsionando uma agenda voltada a oferecer maior certeza ao setor. Entre suas propostas mencionou fortalecer as ferramentas legais para combater o roubo de madeira, o crime organizado e os atentados em zonas rurais, além de avançar em um novo instrumento de fomento florestal que incentive os plantios, especialmente entre pequenos e médios proprietários, incorporando critérios de sustentabilidade e recuperação de solos.
Por último, a deputada pelo Distrito 21, Joanna Pérez (Democratas), propôs que a indústria florestal enfrenta duramente o aumento dos combustíveis. A isso somou que “o importante é abordar uma nova lei de reflorestação. Isso foi solicitado, pois hoje estamos colhendo muito menos”, afirmou.
Além disso, explicou que o país deve gerar melhores condições para incentivar o investimento. Nesse sentido, apoiou medidas como a invariabilidade tributária para atrair novos projetos, o fortalecimento da construção de moradias em madeira e a incorporação de propostas impulsionadas pela Câmara Chilena da Construção (CChC) e pela PymeMad, com o objetivo de dinamizar a atividade.
Fonte:Diario Concepción
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!
Deixe um comentário