A queima de sete máquinas florestais na comuna de Cunco, La Araucanía, no domingo passado, juntamente com outros atentados nessa região que afetaram diversas atividades, reacenderam a preocupação na indústria florestal.
No setor, afirmam que, apesar do estado de exceção estar vigente, o medo de atentados na macrozona sul é constante e indicam que se observa uma reativação da violência. Em agosto, ocorreu a morte do trabalhador florestal Manuel León (60 anos) — enquanto César Osorio (50) ficou gravemente ferido —, após desconhecidos dispararem contra o veículo que prestava serviços de vigilância privada para a CMPC, em Victoria, La Araucanía.
A insegurança soma-se à deterioração que os resultados financeiros da Arauco (Angelini) e da Empresas CMPC (Matte) têm mostrado, devido à fraqueza nos preços da celulose diante de uma sobreoferta. A isso, acrescenta-se a decisão dos Estados Unidos de implementar uma sobretaxa de 10% para as importações de madeira macia e serrada a partir de 14 de outubro, juntamente com uma tarifa de 25% para manufaturas elaboradas com madeira.
De acordo com números da Associação de Contratantes Florestais do Chile (Acoforag), este ano foram registrados 19 atentados incendiários em seu setor, entre as regiões de Biobío e Los Ríos. Em todo 2024, contabilizaram 26 fatos deste tipo e desde 2014 até hoje somam 515 eventos, segundo seus registros.
As perdas por ataques a contratantes durante 2025, estimam em US$ 8,225 bilhões. Em 2024 foram cerca de US$ 13,309 bilhões e nos últimos 11 anos computam perdas de US$ 212,158 bilhões.
"A violência terrorista continua plenamente instalada em La Araucanía, apesar dos números, declarações e justificativas do Ministério da Segurança e do Governo. A realidade é uma só: a insegurança e o medo continuam dominando a zona", afirmou a Acoforag. Acrescentou que "é urgente avançar na Lei de Regras do Uso da Força, na Lei de Inteligência e na Lei de Infraestrutura Crítica, projetos que dormem no Congresso. Sem esses instrumentos, será impossível controlar os grupos terroristas enraizados na macrozona sul".
Michel Esquerré, presidente da PymeMad — sindicato que agrupa PMEs do setor florestal — afirmou que "os atentados geram um processo de retração do investimento no setor porque queimar suas máquinas, violar seu trabalho, inibe o investimento dos empresários no setor".
Rodrigo O'Ryan, presidente da Corporação Chilena da Madeira (Corma), afirmou que "a reativação de atos de violência em La Araucanía é um sinal preocupante que afeta diretamente a segurança das comunidades e dos trabalhadores de todos os setores produtivos, não apenas do setor florestal". Acrescentou que se requer uma presença do Estado "efetiva" no território e uma estratégia "preventiva, proporcional e sustentada no tempo". Afirmou que "tudo isso adquire especial relevância ao se aproximar a temporada de incêndios, onde a intencionalidade tem sido uma das principais causas".
A florestal Arauco indicou que o processo eleitoral poderia ter influência nos últimos atentados. Embora a companhia tenha indicado que os atentados diminuíram ultimamente, estes continuam presentes. Sobre a situação da celulose, a companhia do grupo Angelini afirmou que nas últimas semanas o preço recuperou-se e espera que se consolide como uma tendência. Com relação às novas tarifas nos EUA, assegurou que ainda é cedo para avaliar seus impactos, mas indicou que rejeitam as barreiras tarifárias.
O'Ryan estimou que "deve-se avançar em conjunto com a Subrei para diversificar mercados e promover desde o Estado o uso da madeira na construção e outros produtos de origem florestal. Paralelamente, é urgente aprovar uma política de fomento florestal que impulsione o desenvolvimento do setor como pilar da nova bioeconomia e contribua para o cumprimento dos compromissos ambientais do Chile".
Fonte:El Mercurio
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