Em sua primeira carta aos acionistas como presidente do conselho de administração da Empresas CMPC, Bernardo Larraín Matte fez uma extensa análise das conjunturas adversas que o mercado florestal enfrenta, mas também enviou uma mensagem de otimismo onde advertiu um "novo ciclo de crescimento" apoiado na expansão da companhia no Brasil.

Larraín começou assim: "Quando assumi a presidência do conselho em abril de 2025, estávamos experimentando uma deterioração nos distintos mercados em que operamos. Tais tendências se aprofundaram e, junto com alguns fatores internos, explicam os baixos resultados da CMPC no ano de 2025". O lucro líquido consolidado da firma diminuiu de US$ 491 milhões em 2024 para US$ 202 milhões no exercício passado.

Sobre a conjuntura de curto prazo da indústria, sinalizou, por exemplo, que "embora a celulose não tenha sido afetada por tarifas por parte dos Estados Unidos, é importante considerar as implicações indiretas da denominada guerra comercial".

Nessa linha, afirmou que "as grandes potências estão concedendo mais importância à autossuficiência ou proximidade de suas cadeias de valor". A celulose não estaria alheia a essa tendência, acrescentou.

Nesse contexto, comentou que "a China, um dos principais mercados para nossas exportações de celulose, tem aumentado a produção local integrada a fábricas de papel aproveitando a maior disponibilidade de madeira gerada pela queda na construção. Por outro lado, a indústria de papel desse país mantém uma alta sobrecapacidade que não tem conseguido ocupar aumentando as exportações na magnitude requerida, afetadas pela guerra comercial".

Indicou que esses fatores, "amplificados pela menor taxa de crescimento da economia chinesa, têm pressionado os preços da celulose para baixo". Além disso, sustentou que "esta conjuntura tem afetado os mercados de produtos derivados industriais que a CMPC produz e comercializa. Tal é o caso do mercado europeu de cartolinas, para onde se tem redirecionado parte da referida sobrecapacidade dos produtores de papel chineses, provocando uma baixa substantiva de preços".

"Continua se consolidando a América do Sul e em particular o Brasil"

Apesar dessas dificuldades, Larraín assegurou que "os sólidos fundamentos da indústria continuam presentes e fazem projetar que continue crescendo a demanda de celulose". Isto, impulsionado pela maior penetração de produtos tissue nos mercados emergentes ou o crescente volume de comércio eletrônico que se entrega em embalagens de papel e cartão, entre outros.

Pelo lado da oferta, ressaltou que "continua se consolidando a América do Sul e em particular o Brasil, como o polo mais competitivo a nível global de produção de celulose".

Uma das respostas estratégicas da firma neste cenário, acrescentou, tem sido "consolidar uma plataforma de produção de celulose no Chile e Brasil". Indicou que "a futura duplicação da capacidade de produção de celulose de fibra curta no estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, através do projeto 'Natureza', é a base fundamental deste pilar".

O empresário recordou que "o investimento em crescimento em celulose que começou com a aquisição no ano 2009 do complexo industrial Guaíba, no Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, não só tem sido rentável, mas também estabelece as bases para um novo ciclo de crescimento através do projeto Natureza. Parte dos frutos desse investimento".

Sobre os recursos financeiros para o Natureza — de US$ 4.500 milhões — detalhou que "as operações de refinanciamento através da colocação de dois títulos híbridos no ano 2025, contribuem para preparar o balanço para o desenvolvimento do projeto. Além disso, está-se avançando na revisão de ativos com potencial de monetização e nas análises e atos preparatórios para habilitar financiamentos bancários, com entidades como ECASs e o BNDES no Brasil, entre outros".

Quanto às licenças do novo plano no Brasil, estimou que em maio lhes seria concedida a pré-licença ambiental e durante o primeiro semestre a licença de instalação.

Fonte:El Mercurio

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